Quarta, 23 de maio de 2012
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Moradores da favela do Murão em Carapicuíba reclamam de maus tratos

Por Vivian Avellar e Daniel Soares

Moradores da Favela do Murão, na Vila Menck, em Carapicuíba, que ficaram sob os cuidados do município após o deslizamento de 19 casas e interdição de 43, no dia 25 de janeiro, devido ao excesso de chuvas durante o mês, estão reclamando de maus tratos sofridos na escola Ricardo Antônio Pecchi, abrigo provisório montado pela Prefeitura para acolher os desabrigados.

Cerca de 60 casas foram interditadas no local (Foto: Vivian Avellar)

Cerca de 60 casas foram interditadas no local (Foto: Vivian Avellar)

Nesta semana, um dos moradores fez contato com a reportagem do jornal Página Zero e relatou que as famílias que agora residem na escola estão sendo expulsas do local em função do início do ano letivo. O denunciante, que não quis se identificar por medo de represálias, afirmou que foi colocada data limite para que eles saíssem do espaço, fixada na segunda-feira, 8, para que o mesmo pudesse ser preparado para receber os alunos. O grupo, que não tem para onde ir, teve o pedido de retirada retificado nesta quinta-feira, 11. Durante a denúncia, o autor relatou as dificuldades que o grupo estaria passando por não estar, apesar da procura, encontrando casa para alugar e acrescentou que, mesmo com a promessa da Prefeitura em cadastrá-los no programa "Bolsa Aluguel", ninguém estava conseguindo fechar contrato, pois proprietários do município resistentem à ideia de alugar para a Prefeitura. "A gente procura, procura, procura e nada. Já olhei mais de 30 casas, mas ninguém quer alugar para a gente porque é a Prefeitura que vai pagar. Eles não acreditam", disse.

Outra afirmação de maus tratos, explicitada no mesmo depoimento, foi a negligência praticada pelos funcionários responsáveis pelas refeições dos moradores, deixando-os sem comida. "Teve dois dias na semana que, além deles não terem feito a refeição, as merendeiras trancaram o armário de comida e saíram à noite para o samba, deixando todo mundo com fome. De manhã tive que pedir leite para pessoas da vizinhança para alimentar minha filha", desabafou.

A reportagem entrou em contato com duas das três secretarias municipais envolvidas com a questão: Obras, Promoção Social e a pasta de Desenvolvimento Urbano e de Habitação.

O secretário de Habitação, Alexandre Pimentel, afirmou que "a administração está fazendo o possível para resolver a situação", mas acrescentou que "as dificuldades proporcionadas pelo mercado imobiliário não são de responsabilidade da Prefeitura". Pimentel falou que estará solucionando, na próxima semana, "mesmo sendo semana de Carnaval", tanto a situação da escola, com relação à entrega do espaço, quanto à dos desabrigados, concomitantemente. Em contato com a Secretaria de Promoção Social, antes do fechamento desta edição, a reportagem entrevistou o secretário João Napulião de Oliveira, que afirmou desconhecer os maus tratos. "Ontem eu estive com os líderes do grupo, em reunião no local, e eles não reclamaram nada para mim. Todos os dias motoristas da Secretaria levam pão, leite e café para todos", disse. O secretário confrontou a denúncia afirmando que "as profissionais responsáveis pela feitura da comida são todas idosas". Oliveira ainda disse que há 45 processos já encaminhados para o "Bolsa Aluguel" e confirmou a resistências dos proprietários de Carapicuíba.

Os três responsáveis pelas secretarias envolvidas e suas equipes reuniram-se no fim da tarde desta quinta-feira, 11, no prédio da Secretaria de Obras, para discutir as providências que serão tomadas com relação aos moradores alocados na escola Ricardo Antônio Pecchi. Até o fechamento desta edição a reportagem não conseguiu contatar os secretários novamente para obter informações sobre as próximas ações da Prefeitura.

Defesa Civil do Estado pode liberar até R$ 62 milhões para emergências em Carapicuíba

O governo do Estado reconheceu o estado de emergência em Carapicuíba, provocado por enchentes, desabamentos e pelo desabrigo de várias famílias, com destaque para as vitimadas pelo transbordamento do Córrego Cadaval na Favela do Murão, na Vila Menck, e destinará para a cidade, como verba emergencial também, até R$ 62 milhões.

Segundo o presidente da Câmara, Isac Reis (PT), Carapicuíba foi a primeira cidade da região a ter reconhecimento do estado de emergência. Osasco e Itapevi, que também baixaram decretos semelhantes, aguardam aprovação dos pedidos de ambas.

O dinheiro será aplicado em obras de contenção de encostas, muros de arrimo e construção de unidades habitacionais comprioridade de uso reservada às famílias desabrigadas e que hoje estão precariamente instaladas em escolas, ou aguardando verba do aluguel social, explicou o secretário de Governo e Comunicação de Carapicuíba, Dernal Santos.

 

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