Adequação contará com apoio de paramédicos, profissional de educação física e técnicos para orientar oficinas de marcenaria, costura, artesanato, horta e jardinagem
As autoridades de Pirapora do Bom Jesus avaliaram 2009 como positivo para a política de educação especial e, agora, como resultado natural da atenção dispensada ao setor, sinalizam a preparação da rede municipal de ensino para adotar as novas diretrizes do MEC (Ministério da Educação) voltadas à educação inclusiva. A mudança exigirá que a matrícula de pessoas com deficiência seja obrigatória na rede regular de ensino, independentemente do grau de dificuldade.

O Dia da Árvore, em setembro, já foi uma atividade da política de inclusão, acompanhada pelo prefeito Bananinha (penúltimo à direita)
Pelos planos da Prefeitura, a inclusão levará em conta a premissa básica de trazer para a escola crianças, jovens e adultos privados do convívio social, seja por precaução excessiva da família, por falta de condições de locomoção, ou pela inércia política. Em um ano, o número de matriculados na Escola Municipal de Educação Especial Professora Marina Antônia Domingues Branco quase dobrou.
Cidade com 15.000 habitantes nas contas da assessoria de imprensa da Prefeitura, Pirapora conta 38 pessoas com deficiência excluídas do sistema educacional. O aumento de 41 para 79 matriculados no primeiro semestre resulta de levantamento feito em escolas e em domicílios pela psicopedagoga Elisabete de Oliveira ao assumir o cargo de diretora no início do ano.
Em princípio, o objetivo da Educação Municipal era ganhar a confiança dos pais de crianças e adolescentes com deficiências cujos filhos nunca tinham frequentado a escola, ou que outrora pararam de comparecer aos colégios. O segundo passo foi implantar uma nova metodologia de trabalho, que contasse com o apoio de uma enfermeira, um professor de educação física e técnicos para orientar oficinas de marcenaria, costura, artesanato, horta e jardinagem.
Para atender aos ditames do decreto 6571/08, do MEC, A Secretaria da Educação de Pirapora já iniciou um programa de capacitação geral de professores da rede municipal e participação dos alunos na agenda social da cidade.
Segundo o secretário de Educação Joaquim do Prado não há fórmula pronta, nem impedimento para o sucesso da inclusão total, tanto no método de ensino, quanto na estrutura física das escolas. "Em um primeiro momento, vamos aproveitar a estrutura das escolas, como salas térreas e espaços para elevadores e apressaremos as outras adaptações necessárias logo no início do ano", afirmou o secretário, enfatizando que acima de tudo será preciso promover um ambiente receptivo ao público a ser cativado, para que não haja resistências, nem retrocessos.

Na Escola Especial houve aumento de 41 para 79 matriculados no primeiro semestre
A inclusão é benéfica também aos familiares, que também se sentiriam marginalizados socialmente. "É preciso trabalhar juntamente com a estimulação dos alunos, a autoestima dos pais", argumentou Elisabete. As duas salas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) que funcionam à noite na EMEE também integram adultos da comunidade, pais de crianças com deficiência e adultos com algum tipo de deficiência física ou intelectual, em um ambiente que não os infantiliza.
Outra ideia foi atrair crianças e adolescentes sem deficiência para o cotidiano da escola, permitindo contatos com os alunos nestas condições, renovando o olhar dos mais saudáveis e promovendo a integração de ambos.
"Queremos conscientizar as pessoas da importância da inclusão, para que ela não aconteça apenas por força da lei", comentou a dirigente pedagógica Thereza Brandão.
"O professor vai receber uma cópia do prontuário do aluno. Assim ele saberá tudo da vida pedagógica e das dificuldades dos alunos", comentou Elisabete, complementando que muitos alunos com deficiência já estão frequentando escolas regulares, com acompanhamento contínuo da EMEE.
