Marcelino Lima
A Liga Osasquense de Futebol de Salão (LOFS) está sob nova presidência desde outubro. Reeleito em 2006 e no cargo seguidamente desde 1998, Antônio Carlos Buzato teria mandato até o final de 2010, mas renunciou no apagar de setembro, após convocar assembleia que levou à eleição e à indicação para substituí-lo do vice dele até então, José Matias, também presidente do Jaguaré EC.
Buzato e Kátia na redação do Página Zero: silêncio após a renúncia seguida da saída da LOFS (Foto: Marco Infante)
A saída de Buzato, que assumiu o cargo de presidente pela primeira vez em 1987 e em 23 anos de dedicação ao salonismo só esteve fora durante os biênios 1989/90 e 1993/94, revelada somente agora e com exclusividade pelo Página Zero, vem gerando boatos e comentários controversos nos meios esportivos e até políticos da cidade. A reportagem ouviu, por exemplo, que por ele ser técnico esportivo lotado na Secretaria de Esportes, Recreação e Lazer (SEREL) de Osasco estaria sendo pressionado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a deixar o cargo na LOFS antes mesmo do mais recente mandato expirar.
Como funcionário público, Buzato estaria impedido de assinar contas e movimentar a subvenção anual de R$ 80.000,00 que a entidade recebe da Prefeitura, o que inclusive está expresso no Manual de Convênios que a gestão do prefeito Emidio de Souza pôs em vigor em dezembro de 2008. A reportagem do jornal conseguiu ouvi-lo e na redação, ao lado da esposa Kátia Buzato, que ainda preside a Liga de Futebol Society, entidade abrigada na sede da LOFS, mas que também não vai mais ao Jardim Agu, Buzato apenas confirmou a versão corrente sobre a suposta pressão do TCE.
"Eu não podia mais, por exemplo, assinar as prestações de contas, entre outras proibições que constam no Manual, então tive de aceitar me retirar do cargo para impedir que a LOFS deixasse de receber o convênio e travasse", disse o ex-dirigente. "Eu não tive opção, e mesmo contrariado, depois de tanto tempo, tive de agir assim para não prejudicar os clubes", emendou. "Preferi ir para o sacrifício a exercer uma vaidade".
Ele ainda explicou que, como o estatuto da LOFS permitia, convocou assembleia para 24 de setembro, renunciou ao cargo, e no começo de outubro uma eleição indicou Matias, referendando sugestão dele. Buzato comentou que o trato entre as partes seria seguir ajudando a entidade enquanto estivesse no conselho fiscal, mas ele e Kátia não mais frequentam a LOFS. Por diversas vezes, a reportagem do Página Zero o questionou sobre o que teria causado o afastamento após a renúncia. Buzato, entretanto, bem como a esposa, adotaram como postura o silêncio e, reiteradamente, disse apenas "conversem com o Matias para que ele explique o que aconteceu".
Auditoria interna
A reportagem entrou em contato com José Matias e o novo presidente confirmou tanto a versão de que Buzato não mais podia seguir à frente da LOFS, por ser servidor público, como a saída dele do cargo por consenso entre ambos e os clubes. Matias também disse que Buzato de fato não tem comparecido à LOFS, "mas não há nada que o proíba de ir lá", disse. Durante a entrevista, que concedeu por telefone na tarde de quarta-feira, 16, no momento em que chegava de Santa Catarina, onde o Jaguaré/Palmeiras decidiu a Liga de Futsal, Matias, no entanto, foi além e antecipou que em breve pretende convocar nova eleição, pleito que gostaria de realizar ainda neste mês, mas não o fará porque, entre outros motivos, há uma "auditoria interna" em curso na LOFS.
A auditoria, esclareceu, foi solicitada por alguns dirigentes de clubes que avaliam que, depois de 23 anos à frente da entidade, Buzato eventualmente poderia ter cometido "alguma irregularidade" na condução da LOFS. "A auditoria está em andamento, deverá estar concluída em mais ou menos duas semanas, pois estamos trabalhando 24 horas por dia em torno dela, mas não há nada de concreto apurado ainda e por isso não posso falar nada", ressaltou Matias.
O novo presidente observou que não poderia se omitir a atender ao pedido dos clubes e deixar de proceder às investigações pelas obrigações do cargo, mas ponderou que "ninguém poderá plantar palavras em minha boca", reforçando a ressalva em seguida com a frase: "se alguém vir a falar algo neste momento estará mentindo". O novo presidente chegou a dizer que "a situação lá [na LOFS] não é muito saudável, não gostaria de estar no lugar que estou", e sobre o antecessor e as eventuais irregularidades comentou: "não vou julgar ninguém sem provas, não posso jogar no lixo o nome de um pai de família, professor e homem íntegro com quem vinha atuando nos dois últimos mandatos. Se ele não está indo lá deve ser porque está em licença do trabalho e curtindo a família", finalizou.
