Polêmica Esquenta
Secretário de Esportes da cidade explica que Prefeitura não aceita atual formação do clube, transformado em empresa desde junho de 2008, e entre outras exigências solicita eleições periódicas para renovação da diretoria
Por Marcelino Lima

Estádio Niterói, em Carapicuíba, é a “casa provisória” do Gêmio Barueri junior
Ao final do Campeonato Brasileiro da Série A tornou-se público o "racha" entre a Prefeitura e o Grêmio Barueri que, segundo o que se comentava nos bastidores, começara em janeiro, mas vinha sendo peremptoriamente negado por ambas as partes. A crise passou a ser admitida sem retoques em 11 de dezembro, quando saíram em vários veículos de imprensa as primeiras notícias de que, por conta da falta de apoio do governo local, a diretoria do clube estaria cogitando transferi-lo para Presidente Prudente. Os dirigentes chegaram a emitir nota oficial condicionando a permanência da equipe na cidade ao atendimento de reivindicações como o aluguel da Arena Barueri, a cessão do Centro de Treinamentos (CT) de Vila Porto e de campos para as equipes de base treinarem por pelo menos 3 anos, pleitos nos quais não estariam sendo atendidos.
A falta de locais para treino das divisões menores por decisão atribuída à Prefeitura, por exemplo, já teve desdobramentos. O time profissional fará pré-temporada em Presidente Prudente e o Grêmio Barueri requisitou campos na vizinha Carapicuíba, onde se preparou para a Copa São Paulo de futebol júnior, cuja primeira rodada será no domingo, 3. "A justificativa do secretário de Esportes de Barueri, José Calil, é que os campos da cidade e o CT da Vila Porto estão em reformas", observou em nova nota a diretoria gremista. "A direção do Grêmio Barueri e o departamento de futebol amador do clube têm conhecimento de locais aptos para o treinamento de sua equipe júnior, mas estas instalações também foram vetadas pela Secretaria".
Nesta semana, esquentando ainda mais a polêmica, a Secretaria de Esportes também emitiu sua nota, assinada por José Calil, e intitulada "Uma única exigência". No comunicado, Calil redigiu que a Prefeitura, por meio da pasta que ele administra, "aceita todas as exigências feitas pelo Grêmio Barueri Futebol LTDA e, em contrapartida, tem apenas uma reivindicação: que o clube seja devolvido ao povo da cidade".
Conforme Calil, desde julho de 2008, o Grêmio Barueri foi transformado em empresa privada, "cujos donos são o presidente, o filho dele e mais quatro amigos deles". O secretário refere-se a Walter Jorquera Sanches, que, atualmente, é presidente do Conselho Deliberativo, que teria comandado o processo de transformação "à revelia de toda a cidade" e se apropriado, junto com os demais "amigos" "indevidamente de um clube que pertencia ao povo de Barueri". Calil encerrou a nota observando: "a partir do momento que o clube for devolvido à municipalidade", a Secretaria de Esportes "estará pronta a discutir qualquer acordo que venha a ser proposto".
Calil também deu entrevista ao Página Zero para esclarecer alguns trechos da nota que assinou. Ele explicou, por exemplo, que a Prefeitura não aceita o Grêmio Barueri ter donos depois de toda a cidade e a Prefeitura terem se esforçado para que o time chegasse às elites nacional e paulista: "Não somos contra a criação de um clube, há inclusive uma determinação do Ministério Público para isso, mas sim contra uma empresa privada, na qual quem manda são o Walter e os amigos dele, sem precisarem dar satisfação nenhuma à cidade". Em seguida, comentou que se espera na cidade um clube onde possa haver eleições periódicas, conselho deliberativo, participação popular, de representantes da Prefeitura e também do Ministério Público. "Não temos nada contra o Walter e os demais dirigentes, mas porque eles é que são os donos? O Walter pode até convocar eleições e ganhar, a questão não é pessoal, mas como eles mandam, do jeito que a empresa está, se eles quiserem escalar só juvenis para rebaixar o time para a quinta divisão eles podem pois são os únicos donos".
Malas quase prontas
Na quarta-feira, 23, o portal UOL trouxe notícia veiculada pelo jornal "O Estado de São Paulo" na qual, em declaração atribuída ao vice-presidente do Grêmio Barueri Jaime Matsumoto, o dirigente anunciava que a transferência do clube para Presidente Prudente deveria ser anunciada ainda nesta semana.
A mudança teria ficado combinada em reunião entre diretores gremistas e o prefeito daquela cidade, Milton de Mello, o Tupã (PTB). "As chances de acertar a parceria são de 90%", teria dito Matsumoto. O time, então, passaria a se chamar Grêmio Prudentino e já faria a pré-temporada que antecederá a participação no estadual em novo endereço. Em Presidente Prudente a equipe terá três campos à disposição, incluindo o estádio Eduardo José Farah, onde receberia os adversários, a começar pelo Palmeiras, com quem deveria jogar em 21 de janeiro, na Arena Barueri, pela segunda rodada do Paulista da Série A-1.
A reportagem tentou entrevistar o presidente do Grêmio Barueri a respeito da nota de Calil e das declarações atribuídas a Matsumoto. Marcos Antônio de Almeida não estava na sede do clube no momento do telefonema por meio do qual a redação solicitava ouvi-lo e não deu retorno ao contato, feito com a secretaria dele, de nome Aline, até o fechamento desta edição.
Carapicuíba cumpre
"relações
de amizade"
O secretário de Esportes de Carapicuíba, Eduardo Araújo, explicou ao jornal que a cidade cedeu os campos do INAC e do Niteroi para a equipe júnior do Grêmio Barueri treinar para a Copa São Paulo até o sábado, 2. "O time chega aqui em ônibus próprio, treina e volta para Barueri, sem pagamento nenhum", disse Araújo. "Entendemos que, independentemente dos problemas deles lá em Barueri, temos relações de amizade que precisamos observar com as cidades vizinhas, este também é o papel do esporte", emendou. "Depois do dia 2 o time seguirá a vida dele", completou o secretário, revelando que outro motivo para a cessão dos campos citados é a presença no time júnior de Barueri do jovem Bruninho, de 18 anos, revelação das equipes de base de Carapicuíba e relacionado para jogar a Copa São Paulo.
