Um grupo de pessoas caminhou pela rodovia na tarde de segunda-feira, 18, protestando contra a cobrança e fechamento de acessos ao Rodoanel
Daniel Soares
Aproximadamente trezentas pessoas participaram de um protesto na segunda-feira, 18, diante da praça de pedágio no quilômetro 18 da rodovia Castello Branco, que fica em território osasquense, onde no domingo, 17, teve início a cobrança de R$ 2,80 de pedágio. O protesto se estendeu também ao fechamento dos acessos ao Rodoanel Mário Covas antes do pedágio.

Manifestantes marcharam pelo leito da rodovia Castello Branco até o pedágio no quilômetro 18 (Foto: Vivian Avellar)
O protesto, que chegou a parar a rodovia e provocar congestionamento, foi organizado por um coletivo de sindicalistas da região, entre eles o Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região (Sindmetal); Sindicato dos Transportadores de Carga de Osasco e Região (Sintratecor) e Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil; pelo deputado estadual Marcos Martins (PT) e pelos vereadores osasquenses João Góis, Rubinho Nascimento e Valmir Prascidelli, todos do PT.
Também acompanharam a manifestação os vereadores Osvaldo Vergínio, presidente da Câmara Municipal de Osasco e Rogério Lins, ambos do PR e Valdomiro Ventura (PSL). Os manifestantes portavam faixas e cartazes e distribuíram para os motoristas que chegavam ao pedágio um folheto com críticas à política estadual de pedagiamento.
Extensas filas se formaram diante das cabines de pedágio, obrigando a concessionária a suspender a cobrança por 40 minutos, numa tentativa de dar maior fluidez ao tráfego.
O deputado, que é um dos coordenadores da Frente Parlamentar Contra o Pedagiamento na Assembleia Legislativa de São Paulo, estuda enviar uma representação ao Ministério Público contra o fechamento do acesso livre ao Rodoanel, executado pelo governo do estado.
O presidente da Viaoeste, José Braz Cioffi, assistiu ao protesto na praça de pedágio e orientava os funcionários da concessionária nos trabalhos de desobstrução do tráfego. Ele lamentou "os transtornos causados aos usuários, para quem sempre queremos proporcionar conforto" disse, ao mesmo tempo em que recordava que já foram propostas várias ações judiciais, de diferentes tipos, tentando impedir a cobrança do pedágio e que nenhuma prosperou.
"Não há nenhuma procedência nos boatos de que a Viaoeste irá fechar vias públicas próximas à rodovia que poderiam servir de escape para o usuário que não queira pagar o pedágio" disse Cioffi. "A Viaoeste tem responsabilidade sobre a Castello, não sobre ruas. Fechamento de ruas é de responsabilidade das prefeituras" devolveu o presidente da Viaoeste.
"O pedágio tem meu apoio, a tarifa é justa e proporciona mais investimentos no Estado"

(Foto: Daniel Soares)
O deputado estadual João Caramez (PSDB) concedeu entrevista coletiva no escritório dele, em Itapevi, na manhã da quarta-feira, 20, para manifestar a opinião dele em relação ao protesto da segunda-feira e ao início da cobrança de pedágio na Castello Branco.
O deputado esgrime os mesmos argumentos do governador José Serra, do partido dele, para justificar a política estadual de pedágios. Referindo-se ao iniciado no domingo na Castello Branco, o deputado declarou: "Sou favorável ao pedágio porque ele teve aprovação de todos os prefeitos na oportunidade e ampla discussão com a sociedade civil" argumentou Caramez.
"Os projetos foram levados até os prefeitos, para cada um foi mostrado tudo o que iria acontecer inclusive as alterações nas entradas para o Rodoanel para depois do pedágio" informou Caramez, que também criticou as tentativas jurídicas do prefeito de Osasco, Emidio de Souza (PT), para impedir o início da cobrança do pedágio.
"Se o Emidio tivesse seriedade nas suas ações, ele teria proposto ação judicial antes de iniciar o processo de cobrança, porque ele tinha conhecimento total do projeto. A atitude dele não passa de uma atitude oportunista, eleitoreira" disparou o deputado do PSDB.
Ele também descartou o argumento de que o pedágio e os novos acessos isolem cidades. "É um mito. Alguém do bairro que precise ir ao mercado, ao cartório, ao posto de saúde, precisa pagar pedágio? Não precisa, porque para isso ele não passa pelo Rodoanel. A população de Carapicuíba, por exemplo, tem livre acesso aos serviços públicos, hospital, padaria, escola sem precisar pagar pedágio no Rodoanel" defendeu.
Para o deputado, é ardilosa a alegação de que o usuário paga duas vezes se usar a Castello e o Rodoanel. "Ele paga uma vez para usar a Castello e depois deve pagar se quiser usar o Rodoanel também. Por exemplo, alguém que sai de Jandira e usa a rodovia para pegar o Rodoanel: seria justo ele não pagar pelo uso da rodovia e quem vai de Itapevi para Osasco pagar?" perguntou Caramez.
"O pedágio é uma tarifa justa, paga quem usa. O modelo de outorga paulista dá condições ao governo de investir em outras áreas, não só em rodovias estaduais, como está investindo aqui em Itapevi mesmo, na ligação da Raposo com a nossa cidade, passando por Amador Bueno, uma obra gigantesca, que está dando outra vida para aquela região, com rotatórias em todos os bairros" prosseguiu o deputado na defesa dele.
No final, Caramez desdenhou do protesto osasquense na praça de pedágio. "A adesão não foi grande coisa e só tinha pessoas de Osasco, de repente no meio podia ter funcionários da prefeitura, podia ter pessoas que não foram espontaneamente, a presença foi de políticos do PT apenas, comprovando a nossa tese de que não passa de manifesto eleitoreiro" criticou.
Ele encerrou a coletiva exibindo um vídeo da manifestação de segunda-feira no pedágio e ironizou. "Nunca vi tanta concatenação entre protesto e cobertura jornalística. Os manifestantes chegaram juntos com o helicóptero do Datena. Não foi uma coincidência muito grande? Pareceu coisa articulada para aparecer na televisão" completou Caramez.
À época em que anunciou a obtenção de uma liminar contra o início da cobrança do pedágio, obtida em uma ação cautelar na qual pedia que a Viaoeste e a Artesp viabilizassem a remodelação do sistema viário de Osasco para que pudesse suportar o aumento de tráfego que será provocado pelos motoristas que tentarão escapar do pagamento da tarifa na Castello usando as ruas da cidade, posteriormente revogada a pedido da Viaoeste, o prefeito de Osasco já tinha feito referência a iniciativas que vinha tomando em relação a implantação do pedágio, rebatendo desta forma as declarações de Caramez de que teria agido com oportunismo e com viés eleiçoeiro.
"Assim que tomei conhecimento do projeto para o Cebolão, previ os problemas que o pedágio e o fechamento dos acessos ao Rodoanel antes dele causariam para Osasco. Passamos a procurar a Viaoeste para a busca de uma solução dos problemas que visualizávamos, mas não encontramos boa vontade por parte da concessionária. Não restou outro caminho para nós que o caminho da Justiça" disse Emidio.
