Verbas bancarão terceira fase do Projeto Tietê, com obras em Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco e Santana de Parnaíba

Novos investimentos foram anunciados por Gesner (à esquerda) e Dilma Pena na quinta-feira
O governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Saneamento e Energia e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), planeja iniciar brevemente a terceira fase do Projeto Tietê, intervenção que prevê ampliar os índices de coleta de esgoto da Região Metropolitana de São Paulo de 84% para 87%, e os de tratamento desse esgoto coletado dos atuais 70% para 84%. A terceira fase do Projeto Tietê beneficiará seis municípios da região Oeste com obras: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco e Santana de Parnaíba.
Para tanto, o governo paulista obteve empréstimo de U$ 600 milhões (ou aproximadamente R$ 1,47 bilhões) junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que, no entanto, ainda precisará ser aprovado no Senado brasileiro. A esses recursos serão adicionados outros U$ 200 milhões (aproximadamente R$ 349 milhões).
A obtenção do empréstimo foi anunciada em coletiva de imprensa concedida na quinta-feira, 15, na Secretaria de Saneamento e Energia do Estado pela secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena, e pelo presidente da Sabesp, Gesner Oliveira.
Recentemente, uma série de reportagens da TV Globo sobre a poluição do Tietê deu oportunidade às críticas dos prefeitos da região, que reiteraram a responsabilidade da Sabesp pela falta de tratamento de esgoto nas cidades e consequente lançamento "in natura" no principal rio paulista. Tanto Rubens Furlan (PMDB) quanto Sergio Ribeiro (PT), Emidio de Souza (PT) e Silvinho Peccioli (DEM) cobraram o fato de que a Sabesp cobra taxa de esgoto dos contribuintes das respectivas cidades que governam sem, entretanto, prestar o serviço.
18 milhões de pessoas beneficiadas
Executado pela Sabesp, o Projeto Tietê, considerado pela estatal como um dos maiores programas de saneamento ambiental do Brasil, visa a coletar e tratar os esgotos gerados por cerca de 18 milhões de pessoas da Região Metropolitana Oeste de São Paulo, melhorando as condições ambientais e de saúde pública.
Com o crescimento urbano, trechos do Tietê foram alterados, marginais foram construídas ao redor dele e muito esgoto e outros tipos de poluição foram lançados, ocasionando a degradação.
No passado, eram comuns práticas esportivas, provas de remos e o aproveitamento das margens como áreas de lazer.
Desde 1998 o Projeto viabilizou construção de estações que recebem esgoto coletado e o devolve tratados ao meio ambiente. Segundo a Sabesp, foram notados benefícios no Interior do Estado, a partir da redução da mancha poluidora e o retorno da pesca nestas regiões, o que indica a importância das obras de saneamento ao desenvolvimento econômico e social.
A primeira fase do Projeto Tietê foi realizada entre 1992 e 1998. Com investimentos de US$ 1,1 bilhão foram inauguradas 3 novas estações de tratamento de esgotos: São Miguel, ABC e Parque Novo Mundo. Além disso, a Sabesp ampliou a capacidade de tratamento da Estação de Barueri de 7.000 para 9.500 litros de esgotos tratados por segundo. Foram construídos também 1,5 quilômetro de redes coletoras, 315 quilômetros de coletores-troncos, 37 quilômetros de interceptores e mais 250.000 ligações domiciliares. A empresa estatal contabiliza, entre outros avanços, redução em 120 quilômetros do trecho poluído na Bacia do Alto Tietê; aumento do índice de esgoto coletado na Região Metropolitana de São Paulo, de 70% para 80%, e aumento do índice de esgoto tratado na Região Metropolitana de São Paulo, de 24% para 62%.
Em janeiro de 2000, a Sabesp também inaugurou o Emissário Pinheiros-Leopoldina, uma tubulação com quase 3 metros de diametro e 7,5 quilômetros de extensão que recebe esgoto de quase toda a bacia do Rio Pinheiros para ser tratado na Estação de Barueri. A instalação é responsável pelo transporte de 3.000 litros de esgotos por segundo, beneficiando 3,6 milhões de pessoas por meio da redução de 90% da carga poluidora.
SEGUNDA E TERCEIRA ETAPAS
A segunda etapa teve início em 2000 e foi concluída no final de 2008. O trabalho consistiu na ampliação dos índices de coleta de esgotos de 80% para 84% e do tratamento de 62% para 70%, permitindo que 350 milhões de litros de esgoto deixassem de ser lançados nos rios. Os benefícios envolvem melhorias à saúde pública e à qualidade de vida da população, com a ampliação do serviço de coleta de esgotos a mais de 400.000 famílias.
Nesta etapa foram investidos US$ 500 milhões, sendo US$ 200 milhões financiados pelo BID e US$ 300 milhões com recursos da Sabesp, contando com o apoio do BNDES. As obras referem-se à construção de grandes e extensas tubulações de esgotos que se comparam aos túneis viários do Metrô. O trabalho principal consistiu na interligação do sistema de coleta às estações de tratamento que foram construídas na primeira etapa do projeto.
Na terceira etapa, que já está em negociação e terá vigência até 2015, serão investidos cerca de US$ 1,05 bilhão. O objetivo é dar continuidade à melhoria da qualidade ambiental da bacia do Alto Tietê, por meio da ampliação da infraestrutura de coleta, afastamento e tratamento de esgoto. Nesta fase, mais de 1,5 milhão de pessoas serão beneficiadas com a coleta de esgoto e mais de 3 milhões terão esgoto tratado.
Atualmente, já estão em andamento obras da terceira fase, como a do coletor São João do Barueri, que permitirão o tratamento do esgoto gerado em Jandira e Itapevi.
A lógica técnica de despoluição do Tietê determina que os investimentos iniciais sejam priorizados na cabeceira do rio, e na construção da infraestrutura para o sistema de esgotos. O projeto é desenvolvido de acordo com a disposição da bacia hidrográfica e não de acordo com os benefícios de cada município isoladamente.
Obras previstas
580 km de coletores-troncos e interceptores;
1.250 km de redes coletoras;
200.000 ligações de esgoto domiciliares;
Ampliação da capacidade de tratamento de esgoto em 7,4 m³/s;
Principais benefícios esperados
Ampliação da coleta de esgoto de 84% para 87%;
Aumento do tratamento do esgoto coletado de 70% para 84%;
Redução da carga orgânica lançada no Rio Tietê a montante
da Barragem de Pirapora.
