Em 2009, Sabesp descobre mais de 17 mil fraudes em hidrômetros e ligações clandestinas e precisa negociar com infratores para não perder mais de R$ 18 milhões
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) conseguiu recuperar para os cofres da estatal R$ 18,5 milhões após negociações que precisou empreender com fraudadores da rede de abastecimento de água da região Metropolitana de São Paulo ao longo de 2009.
A violação dos hidrômetros é uma das modalidades dos ‘clandestinos’ (Foto: Gilbert Julian)
Entre os municípios por onde este jornal circula, Osasco — que de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) teria 718.646 habitantes, em 2009 — foi o campeão de irregularidades, batendo, inclusive, a Capital. Os "gatos" variaram entre sutis violações de hidrômetros a ligações subterrâneas em que tubulações são conectadas diretamente à rede de abastecimento, dificultando a descoberta por parte da empresa.
Em 536 pontos espalhados apenas por Osasco, a Sabesp constatou desvio de 99.647 metros cúbicos (m3), o que corresponderia a R$ 504.353,46 de prejuízo. Em segundo lugar entre os 11 municípios listados pela Unidade de Negócio Oeste da Sabesp, com 516 irregularidades, Carapicuíba consumiu indevidamente 69.632 m3 e, conforme as contas, a empresa precisou recuperar R$ 313.034,06. São Paulo registrou, respectivamente, 140 "gatos", R$ 218.320,36 e 36.504 m3.
Desabamentos
As 17.296 irregularidades contadas no balanço geral concentravam-se na maioria dos casos em 14.534 imóveis residenciais (82%), enquanto 10% (1.740) foram descobertas em pontos comerciais. O levantamento ainda identificou 200 fraudes em indústrias (1%) e 1.285 (7%) em empresas. O tipo mais comum delas, o ataque aos hidrômetros, proporcionou 9.217 casos. As ligações clandestinas chegaram a 6.258.
Uma única fraude basta para comprometer o abastecimento de um setor inteiro. As ligações clandestinas podem gerar vazamentos, perda de pressão na rede e, consequentemente, falta de água para a população. Os "gatos" também podem provocar infiltrações e assim deixarem vulnerável a estrutura dos imóveis, causando, inclusive, desabamentos.
O trabalho dos "Caça-Fraudes", como são chamadas as equipes que realizam o serviço de busca dessas ligações não aprovadas, ganhou fôlego nos últimos dois anos e vem obtendo avanços. Em 2008, por exemplo, eles haviam chegado a 21.165 irregularidades, cujo volume desviado atingiu 5,4 bilhões de litros. A Sabesp, então, precisou reaver R$ 26 milhões.
Consumidores flagrados utilizando "gatos" são obrigados a pagar o correspondente à média histórica de consumo pelo período de irregularidade apurado. A dívida pode ser parcelada de acordo com avaliação feita pela Sabesp. Em casos de reincidência, a empresa poderá abrir Boletim de Ocorrência (BO) contra o fraudador.
Tipos de "gatos" detectados em 2009
Hidrômetro violado: Colocação de objetos como agulhas ou pregos no Disco
Indicador de Volume para impedir a marcação do volume de água consumido
Número de fraudes apuradas: 9.217 (53,29%)
Ligação clandestina, feita diretamente do ramal da rede de abastecimento
sem que a água passe pelo hidrômetro
Número de fraudes apuradas: 6.258 (36,18%)
Hidrômetro invertido, instalado em posição que diminui a marcação
do consumo
Número de fraudes apuradas: 1.123 (7,07%)
By Pass: Ligações feitas antes do hidrômetro, que impedem o aparelho de
medir o volume consumido
Número de fraudes apuradas: 598 (3,46%)
Quantidade de fraudes identificadas na área de atuação da Unidade de Negócio Oeste da Sabesp
Municípios "Gatos" Valor recuperado (R$) m³ desviados
Barueri 150 172.593,85 30.956
Carapicuíba 516 313.034,06 69.632
Cotia 51 87.174,59 21.915
Jandira 33 28.901,56 7.204
Itapevi 39 37.164,01 8.743
Osasco 536 504.353,46 99.647
Pirapora 1 3.418,09 507
S. Parnaíba 32 58.520,49 11.123
São Paulo 140 218.320,36 36.504
Tab. Serra 132 75.370,90 18.064
V.Gde Paulista 6 2.118,92 688
Total 1636 1.500.970,29 304.983
