Os professores da rede estadual de ensino marcaram para esta sexta-feira, 12, às 14 horas, assembleia geral na qual decidirão se manterão a greve deflagrada na segunda-feira, 8. Os professores iniciaram o movimento devido à recusa governo em conceder reajuste salarial unificado de 34,3%, coinforme afirmaram líderes de sindicatos e de associações representativas da categoria.

Estado e professores apresentam números discrepantes para a adesão à greve decretada no início da semana
A paralisação teve início na praça da República, Centro de São Paulo, defronte à Secretaria Estadual de Educação. "Conseguimos juntar mais de 10.000 professores" avaliou a professora de Carapicuíba Priscila Peixoto Figueiredo, diretora regional da APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo) e conselheira estadual da entidade. Para a Polícia Militar, apenas a metade, ou seja, 5.000 pessoas, teriam tomado parte da decisão.
"Para a sexta-feira, 12, esperamos juntar 30.000 na assembleia programada para acontecer no vão do Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista. De lá, sairemos em passeata" diz Priscila. Segundo ela, a paralisação em Carapicuíba já atingiria "60% das escolas".
Para a presidente da APEOESP, Maria Isabel Noronha, o levantamento que a entidade realizou na terça-feira, 9, demonstraria que a greve "está crescendo em todas as regiões do Estado. A paralisação atinge, em média, 55% dos professores. A Secretaria da Educação ‘fabricou’ o índice de 1% de paralisação, mas a realidade se encarregará de colocar os pingos nos is’".
Dirigentes da APEOESP, do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), do Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo, doCentro do Professorado Paulista (CPP) e do (Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação do Estado de São Paulo (Afuse) rejeitam a contraproposta, feita pelo Palácio dos Bandeirantes, de incorporar as gratificações ao salário dos professores. A medida renderia à categoria reajuste salarial de 0,27%, válido para quem leciona até a 4ª série do ensino fundamental, e chegaria a 0,59% para quem dá aulas para turmas da 5ª série do ensino fundamental ao ensino médio.
A ocupação da avenida Paulista pelos professores em greve nesta sexta-feira, 12, poderia gerar transtornos "intransponíveis" ao tráfego, além de dificultar o acesso aos hospitais da região. Com esta alegação, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) acionou a Justiça para tentar barrar a assembleia. A empresa recomendou a transferência de local, mas Maria Izabel Noronha acredita que "será difícil conter 30.000 pessoas".
INIMIGOS DA EDUCAÇÃO
"A tentativa de greve é política e inimiga da educação de São Paulo". Quem fez a afirmação, por meio de nota oficial, foram representantes da Secretaria da Educação de São Paulo. No mesmo documento, os representantes do Estado observaram que "as escolas estaduais funcionaram normalmente na segunda-feira, 8, apesar da tentativa de greve promovida pelo sindicato dos professores, a APEOESP".
Para o governo estadual, a adesão ao movimento teria sido inferior a 1% do total de professores do Estado, o que evidenciaria "a responsabilidade demonstrada pela quase totalidade dos 220.000 professores do Estado".
A Secretaria ainda defende "o conjunto de programas que permitiram a evolução no ensino público estadual paulista, como atestou o Saresp 2009, cujo indicador geral (o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo, Idesp) melhorou 9,4% em 2009 na comparação com o ano anterior".
O governo de José Serra (PSDB) ainda divulgou que "a reivindicação de 34% de aumento linear para os professores custaria nada menos do que R$ 3,5 bilhões e desorganizaria as finanças da educação e até mesmo do conjunto do Governo do Estado".
