Gesner de Oliveira, presidente da empresa, reuniu-se com prefeitos em Barueri. Por Daniel Soares
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) assumiu com os prefeitos de sete cidades da região Oeste metropolitana o compromisso de antecipar o cronograma de obras físicas da empresa para tratamento de esgoto. A promessa foi feita na quarta-feira, 28, pelo presidente da empresa, Gesner de Oliveira, que atendeu convite da frente de prefeitos formada em 20 de outubro para cobrar da Sabesp mais investimentos e antecipação do planejamento para a região.
Furlan, um dos prefeitos das sete cidades, disse que é “injusta” a má fama atribuida a elas
A frente nasceu por sugestão do prefeito Emidio de Souza (PT), de Osasco, depois das cobranças feitas aos prefeitos em uma série de reportagens e entrevistas feitas pelo programa SPTV, da TV Globo, em que os prefeitos foram responsabilizados pela emissão do esgoto das cidades no Tietê e pela poluição do rio.
O grupo é formado pelos prefeitos de Barueri, Rubens Furlan (PMDB); de Carapicuíba, Sergio Ribeiro (PT); de Itapevi, Ruth Banholzer (PT); de Jandira, Braz Paschoalin (PSDB); de Osasco, Emidio de Souza (PT); de Pirapora do Bom Jesus, José Carlos "Bananinha" Alves (PT) e de Santana de Parnaíba, Silvinho Peccioli (DEM). A reunião da quarta-feira ocorreu na Câmara de Barueri e o prefeito Peccioli foi representado pelo Secretário de Planejamento e Renda Roberto Ignátios. Após a reunião, os prefeitos e vereadores de todas as cidades acompanharam Gesner de Oliveira na visita à ETE (Estação de Tratamentos de Esgotos) de Barueri.

Prefeitos da região, assessores e Gesner de Oliveira durante visita à ETE de Barueri
A cobrança despertou a ira dos prefeitos. "É injusta", disparou Furlan. "Os municípios fazem a parte deles, que é a implantação de redes e o afastamento do esgoto, mas levá-lo até a ETE, e não despejá-lo in natura no Tietê é função da Sabesp, que firmou contrato com todas as prefeituras para esse fim, é remunerada para isso e ainda cobra tarifa por um serviço que não presta, onerando nossos trabalhadores", completou.
"Em qualquer lugar do mundo o serviço de água e esgoto é superavitário, é lucrativo", emendou Emidio. "Não justifica a Sabesp alegar que não tem recursos para tratar o esgoto gerado em nossas cidades. Vamos querer saber quanto ela arrecada e quanto reinveste na região", avisou Emidio na primeira reunião dos prefeitos. "O Tietê é responsabilidade de todo o mundo e ninguém pode ser cobrado individualmente. Ou será que o Chico Pinheiro [jornalista do SPTV] não produz esgoto? Pergunto ao presidente da Sabesp: a sede da TV Globo, na marginal do Pinheiros, tem estação de tratamento de esgoto ou o despeja no Rio Pinheiros?" ironizou Furlan.
Na reunião do dia 20, em Osasco, os prefeitos tinham decidido que pediriam a reunião com Gesner, uma visita com ele e os técnicos da Sabesp à ETE de Barueri e uma demonstração financeira de quanto a empresa arrecada de taxas de água e esgoto nas sete cidades.
UNIÃO POSITIVA
Gesner entregou aos prefeitos um documento batizado de "Relatório de Sustentabilidade" no qual, segundo garantiu, há um balanço financeiro da Sabesp. O presidente da empresa avaliou positivamente a iniciativa dos prefeitos em formar a frente e cobrar a empresa. "A união dos prefeitos é positiva, eles são parceiros da empresa".
O presidente da Sabesp elencou as obras e os investimentos atuais da empresa na região Oeste e fez referências a R$ 26 milhões investidos em Barueri; R$ 1 milhão em Carapicuíba; 12,9 milhões em Itapevi; de 2 a 4 milhões em Jandira, e R$ 20 milhões em Osasco, o que classificou como parte de "um grande esforço" pela região Oeste.
"Vamos pelo menos dobrar os R$ 3 bilhões que investimos em tratamento de água e de esgoto entre 2003 e 2006", anunciou Gesner. "Nossa meta é a universalização do tratamento de esgoto, que tínhamos projetado para 2018, mas que é longe demais. Vamos pensar no que pode ser factível antecipar para 2012 com vistas a alcançarmos ao menos 70% de tratamento do esgoto coletado aqui".
Todos os prefeitos formularam críticas aos serviços prestados pelas empresas terceirizadas pela Sabesp nos municípios e Gesner admitiu que poderá rever contratos e exigir o melhoramento desses serviços.
Emidio de Souza sugeriu a criação de uma Câmara Técnica Permanente de Acompanhamento composta por profissionais indicados pelo prefeito para acompanhamento da proposta de antecipação do cronograma de obras. "É uma ótima ideia e desde já eu e a minha assessoria nos colocamos a disposição para manutenção de um diálogo permanente", comentou o presidente da Sabesp.
"Como já foi destacado pelo prefeito Furlan, os prefeitos fazem a sua parte na questão de política ambiental, como as coletas de lixo, algumas cidades já têm a coleta seletiva, outras até usina de reciclagem de entulho, como Osasco. Sendo assim, não podemos ser cobrados como os responsáveis pela poluição do rio Tietê, uma vez que a Sabesp tem a concessão dos serviços de água, coleta e tratamento de esgoto e, como sabemos, nunca conseguiu cumprir as metas estabelecidas. Com essa Câmara Técnica, formada por técnicos de todas as prefeituras, vamos ter condições de acompanhar a execução das obras e cobrar aquilo que não for cumprido conforme o cronograma", ponderou Emidio.
Rubens Furlan aplaudiu a sugestão de Emidio e sugeriu que a criação da Câmara Técnica seja a pauta da próxima reunião da Frente de Prefeitos. Ele disse que consultará Silvinho Peccioli para que esta reunião ocorra, brevemente, em Santana de Parnaíba.
