
Mulheres respondem por 70% dos pacientes afetados pelos tumores causados pelo HPV
O Icesp recebe, atualmente, cerca de 1.200 novos casos cirúrgicos para a especialidade de cabeça e de pescoço. Embora tumores relacionados ao HPV sejam menos agressivos, e em geral respondam bem ao tratamento, é possível evitá-los com uso de preservativos durante relações sexuais.
“A maioria dos pacientes do Instituto descobre a doença quando ela já está em estágio bastante avançado”, disse Marco Aurélio Kulcsar, oncologista do Icesp. O médico alertou que a infecção pelo HPV, quando associada ao tabagismo, aumenta o risco de morte. Manchas brancas na boca, dor, lesão com sangramento e cicatrização demorada, nódulo no pescoço presente por mais de duas semanas, mudanças na voz ou rouquidão persistente e dificuldade para engolir são sintomas da presença do tumor.
Tratamento demorado
O papiloma vírus humano infecta pele ou mucosas e possui mais de 200 variações diferentes. A maioria dos subtipos está associada a lesões benignas, tais como verrugas, mas certos tipos são frequentemente encontrados em determinadas neoplasias como o tumor do colo do útero, do qual se estima que sejam responsáveis por mais de 90% de todos os casos verificados.
A principal forma de transmissão do HPV é pela via sexual, o que faz dessa a doença sexualmente transmissível (DST) mais frequente. Estima-se que entre 25 a 50% da população feminina mundial esteja infectada, e que 75% das mulheres contraiam a infecção durante algum período das suas vidas. A maioria das situações não apresenta sintomas clínicos, mas algumas podem desenvolver alterações que evoluem para câncer.
O exame de rastreio para diagnóstico dessas alterações é a citologia cervical ou o Papanicolau, recomendado pelo menos uma vez por ano para mulheres. A infecção também pode ocorrer no homem e, embora as manifestações clínicas sejam menos frequentes do que no sexo feminino, estima-se que esteja infectada pelo vírus 50% da população masculina.
O tratamento é demorado e depende das técnicas aplicadas. Apesar de em vários casos haver recaída, é comum em outras situações, principalmente se diagnosticado a tempo, a cura e a eliminação do vírus do organismo. As estratégias de prevenção são similares as das restantes DSTs, passando, sobretudo, por evitar comportamentos de risco.
As opções de tratamento dependem do tipo e extensão das lesões causadas pelo HPV, podendo ser empregado tratamento destrutivo ou excisional (destruição e/ou remoção das lesões), ou um tratamento à base de medicamentos imunomoduladores.
O tipo e gravidade dos sintomas dependem da variação de HPV e do local de infecção. A principal divisão feita entre as variantes do vírus distribui-os por duas categorias: os que infectam as superfícies cutâneas em geral, e os que infectam a região genital. Seja qual for a região afetada, na maior parte dos casos a infecção é assintomática e resolve-se espontaneamente sem deixar sequelas. Alguns tipos de vírus, contudo, e em especial os que afetam a área genital, podem causar alterações que vão desde lesões benignas a câncer.
