A medida pegou passageiros desprevenidos apesar de estar prevista na Lei Orgânica, de acordo com Prefeito
Usuários das linhas de ônibus municipais das cidades da Região Oeste foram surpreendidos com o novo valor das passagens na manhã desta terça-feira, 1º de dezembro. Em Osasco, a majoração da tarifa consta em decreto publicado na Imprensa Oficial do Município de Osasco (IOMO) na sexta-feira, 27 de novembro.

O aumento das tarifas dos ônibus foi acompanhado pelos municípios da Região (Foto: Daniel Soares)
As tarifas aumentaram cerca de 8% nestes municípios. Em Osasco, Barueri, Itapevi e Jandira os valores saltaram de R$ 2,50 para R$ 2,70. Já em Santana de Parnaíba a passagem, com cobrança anterior de R$ 2,40, teve acréscimo de R$ 0,20, sendo cobrada a R$ 2,60. Em Carapicuíba, o decreto assinado pelo prefeito Sergio Ribeiro (PT) define o aumento para R$ 2,70 a partir do primeiro minuto do dia 7 de dezembro. A Prefeitura informou também que não serão em todos os trajetos que este preço estará em vigor. Nas linhas 1211 (Parque Jandaia – Estação Km 21), 213 (Cohab V – Centro de Carapicuíba) e 215 (Vila Cretti – Centro de Carapicuíba) o preço será de R$ 2,50.
Na Capital não houve alteração no valor, que continua a ter cobrança de R$ 2,30, definido em 2006. O aumento está datado para janeiro de 2010 e elevará o preço em 10%, diminuindo a distância com relação aos municípios da Região Metropolitana Oeste. O valor paulistano será de R$ 2,60 segundo informações da Prefeitura.
Em entrevista concedida ao Página Zero, após término da reunião da Frente de Prefeitos da Região Oeste, na quarta-feira, 2, realizada em Santana do Parnaíba, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza (PT) disse que, apesar de concordar com a população sobre o elevado preço em que a passagem ficou fixada, "o reajuste estava previsto na Lei Orgânica da cidade", que prevê mudanças anuais, para não onerar o cidadão. "Nós de Osasco, e da Região, não temos subsídios para o transporte. Preferimos adotar uma política de reajustar ano a ano para não deixar acumular e dar grandes reajustes", adicionou o Prefeito. Emidio respondeu as comparações realizadas com a Capital e disse que a política adotada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem base nos subsídios, ou seja, "ele tira dinheiro do Tesouro para manter a tarifa", disse. E complementou: "O próprio orçamento da capital para 2010 prevê quase um bilhão de subsídio para o transporte. Ele manteve a tarifa baixa para injetar dinheiro do recurso, quer dizer, o cidadão paga de qualquer forma porque o dinheiro da Prefeitura também é dinheiro do cidadão".
De acordo com a prefeitura osasquense o índice responde aos custos que compõem o transporte público, no qual está incluído o reajuste de 6% concedido aos trabalhadores do setor na Região e aumento de 7,4% no preço do diesel e materiais de manutenção.
Alternativa
Para Emidio de Souza a saída para os altos valores cobrados pelos ônibus é a conquista da proposta criada pela Frente Nacional de Prefeitos que trabalha pela desoneração das tarifas. "A proposta de desoneração da Frente Nacional é o que pode garantir uma tarifa menor. Para isso, precisamos que o Governo Federal retire o IPI dos ônibus, para na hora de renovar a frota o custo diminua. Além do IPI, já retirado para os carros, é importante medida igual para o ICMS do combustível, desonerar folha de pagamento e transformar frota de diesel para gás", apontou.
Bilhete Único
O leitor do jornal Página Zero e morador de Osasco, Rafael Ernandi, em carta enviada à redação, além de mostrar insatisfação com a nova medida e com o serviço prestado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), questionou a não implantação do Bilhete Único, medida que, em sua visão, aliviaria os valores pagos com transporte. "Na campanha do primeiro mandato, o prefeito Emidio tinha promessa de instalar na cidade o sistema de Bilhete Único, que garantiria descontos para usuários que além do trem utilizam o metrô ou demais transportes públicos em São Paulo. Após quatro anos, a única mudança, porém, foi a instalação de catracas eletrônicas e a criação do cartão BEM, que não oferece benefício algum na transferência entre ônibus dentro da cidade ou na CPTM", cobrou Rafael.
O prefeito Emidio respondeu ao Página Zero que não irá repetir o problema gerado pela gratuidade dos ônibus, suprida pelos pagantes que custeiam, já que o valor cobrado embute esta defasagem. "O Bilhete Único só vai poder ser implantado quando nós dissermos de onde sairá o dinheiro que o custeará, quando o orçamento da prefeitura tiver condição de colocar subsídio para garanti-lo", afirmou o prefeito.
