Marcos Antonio Batista da Silva
Falar sobre políticas públicas é tratar de desenvolvimento de ações direcionadas em diversas áreas de interesse público. Neste caso especifico a questão da juventude. Por exemplo, na área de educação, possibilitando que as escolas, além do conhecimento formal, gerem capacitação e profissionalização aos estudantes, atitudes estas que já estão sendo postas em práticas com as escolas técnicas. Acreditamos que é na juventude que uma sociedade deposita as maiores esperanças. Também são os jovens os que mais sofrem com o desemprego; e os que entram no desvio social com condutas inadequadas.Os conceitos de adolescência e juventude remetem a uma construção histórica e social, necessitam assim de serem considerados como sujeitos de direitos, mas também com deveres e deixam de ser definidos por suas incompletudes. Porém, existe contradição entre a esperança nas novas gerações e a triste realidade urbana encontrada nas estatísticas; isto tudo gera a necessidade de que o poder público e a sociedade civil cada vez mais defininam planos e ações direcionadas a proteger, capacitar e gerar oportunidades aos jovens, de modo a mudar estes números. Este conjunto de planejamentos e ações dos governos com o apoio da população são as políticas públicas para a juventude. Falar em Políticas Públicas para a Juventude é tratar de desenvolvimento de ações direcionadas em diversas áreas de interesse público.
Observamos que no Brasil até a década de 70 existia um debate sobre as políticas concernentes à juventude como uma "categoria que problematizava a continuidade e/ou transformação social." Isto quer dizer que a juventude era compreendida e representada por uma categoria de jovens que estudavam ensino médio ou superior (estudantes), e as suas manifestações poderiam ocorrer devido ao fato de como estudantes, adquirirem conhecimento, formação escolar e atitudes de desenvolvimento social, político e critica de modelos e sistemas da época. Estou me referindo neste caso aos jovens de classes mais favorecidas, porque os demais de outras categorias sociais logo entravam para o mundo do trabalho, e eram identificados como jovens, quando porventura desviavam do caminho – quando tornavam preocupação pública no respeito as Leis – desvio e marginalidade. A partir da década de 70, surgem os movimentos estudantis visando uma abertura política e uma redemocratização do pais. Porém, concomitantemente, surge a questão dos menores de rua gerando um mal estar social. Isto fez com que fosse discutida a questão da infância e adolescência na agenda pública, resultando no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), lei 8.069/1990, que tem como objetivo diminuir o índices de crianças e adolescentes em desigualdade social visando à reconstrução da cidadania.
A partir dos anos 90 outros temas ligados à juventude adquiriram visibilidade como, por exemplo: dificuldade de inserção no mundo do trabalho, devido à forte crise economia e social, a gravidez precoce, o uso de álcool e drogas, doenças sexualmente transmissíveis, a criminalidade, e o sistema público educacional. Quadros estes que fizeram com que os jovens fossem vistos como membros de uma fase problemática. A partir daí muitas Organizações não- governamentais (ONGs) foram criadas,visando maior participação com o público jovem.
Nos tempos atuais podemos observar que estamos vivendo um quadro de oportunidade relacionados aos jovens. Podemos observar várias atitudes que visam à melhoria nas políticas públicas para a juventude, elevando o potencial e a capacidade de atendimento desta população jovem. O salto é expressivo, esta política nacional está só começando. É importante reconhecer que as políticas públicas de juventude não estão, em nenhum nível de governo, prontas e acabadas. Elas precisam de avaliação e de aperfeiçoamento constantes e permanentes. Introduzir o assunto políticas públicas para a juventude remete a pensar em um melhor equilíbrio entre desenvolvimento econômico e social - proporcionando ações políticas que valorizem o reconhecimento do outro, do coletivo e da dignidade humana.
Marcos Antonio Batista da Silva é psicólogo educacional
