Luiz Roberto Barradas Barata
A doença que mais preocupou os paulistas em 2009 foi, sem sombra de dúvida, a Influenza A H1N1, que ficou conhecida entre todos como a gripe suína. As pessoas ficaram com medo, as máscaras protetoras viraram moda (embora não necessárias para quem não têm a doença), o álcool em gel ficou mais popular do que nunca.
Com a chegada do calor, a transmissão da doença diminuiu no país, incluindo o estado de São Paulo. Mas os meses de inverno se aproximam e, como toda doença respiratória, o número de casos pode aumentar novamente. Por isso é importante estar bem informado e se prevenir.
Passado o susto inicial, o fato agora é que temos vacina contra o H1N1, que está sendo disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por intermédio da maior campanha de imunização da história. No estado de São Paulo o objetivo é vacinar cerca de 20 milhões de pessoas até 21 de maio, o que corresponde a aproximadamente metade da população paulista.
A partir da análise das mortes ocorridas pela nova gripe, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e o Ministério da Saúde identificaram alguns grupos de risco, de pessoas que têm maiores chances de desenvolver complicações se forem infectadas pelo novo vírus: são as grávidas, as crianças a partir de seis meses e menores de dois anos de idade e os portadores de doenças crônicas, como obesos, pessoas com doenças cardíacas, asma grave, diabetes, insuficiência renal e doenças que afetam o sistema imunológico, como a Aids e câncer.
Também foram incluídos na campanha de vacinação os adultos saudáveis entre 20 e 39 anos. Esta faixa etária respondeu por cerca de 50% dos óbitos pela nova gripe registrados no Estado de São Paulo em 2009. Já os idosos a partir de 60 anos irão receber a vacina contra a gripe comum (sazonal), mas caso sejam portadores de doenças crônicas poderão também tomar uma dose contra o H1N1.
Para que a imunização dos paulistas ocorra de forma tranquila e sem correria aos postos de saúde, a campanha foi organizada em cinco etapas. A primeira fase, de 8 a 19 de março, será para os 704,7 mil profissionais de saúde que trabalham em hospitais, prontos-socorros, pronto-atendimentos, ambulatórios e unidades de Saúde da Família, em um total de 6,4 mil serviços por todo o Estado, além de 4,6 mil pessoas que vivem nas aldeias indígenas. Os demais grupos serão vacinados após essa data, em períodos distintos, até 21 de maio.
É fundamental que todas as pessoas que fazem parte do grupo prioritário compareçam aos postos de saúde (no caso dos profissionais de saúde, a vacinação será no local de trabalho) no período da campanha. O objetivo da imunização, além de reduzir a transmissão da doença, é evitar complicações geradas pela infecção pelo H1N1, como as pneumonias e outras doenças respiratórias agudas graves. Assim, caso a pessoa tome a vacina e contraia o vírus posteriormente, estará protegida contra problemas mais graves que podem causar internação e, eventualmente, óbito.
Aliado à campanha, é importante que as pessoas reforcem hábitos de higiene, lavando as mãos com frequência, usando lenços ao tossir e espirrar e evitem o compartilhamento de objetos pessoais, como copos e talheres.
A vacina contra a nova gripe, já aplicada em países da Europa e nos Estados Unidos, tem se mostrado bastante segura e eficaz, sem efeitos colaterais importantes. As doses já estão sendo distribuídas. Agora é ficar atento às datas definidas para cada grupo e se proteger. A saúde agradece.
Luiz Roberto Barradas Barata é médico sanitarista e secretário de Estado da Saúde de São Paulo
