Quarta, 08 de setembro de 2010
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Paredão Edição n° 941

‘ENGOLINDO A SECO’

O deputado estadual por Osasco, Marcos Martins, que é candidato à reeleição pelo PT, teve de ‘engolir a seco’ na semana passada uma declaração que sua assessoria atribuiu a técnicos da Sabesp.

Como muita gente sabe, Martins engrossa o coro na região daqueles que são extremamente críticos à ‘estatal da água’, por conta da atuação dela no fornecimento e tratamento de esgotos em toda a região.

LIVRE DO AMIANTO

Além de empunhar essa bandeira, Marcos Martins também orgulha-se de ser o parlamentar que conseguiu abrir os olhos da comunidade em geral para os perigos do amianto; fez o estado de São Paulo criar uma lei proibindo a utilização de tal produto e agora luta para que artigos que dizem respeito diretamente à saúde do cidadão, como caixas d´água, por exemplo, fiquem livres desse material comprovadamente cancerígeno.

TUBOS ‘PERIGOSOS’

Pois bem: na semana passada, o deputado se fez acompanhar por uma comissão de moradores de bairros da zona Norte de Osasco, como Colinas d´Oeste e Morro do Socó, que andam reclamando de falta d´água e vazamentos constantes nesses lugares, em uma visita diretamente à Sabesp para buscar providências. Em contato com diretores da empresa, Marcos Martins resolveu tocar no assunto que lhe enche de orgulho, indagando sobre tubulações cuja composição é o amianto.

DE MELHOR QUALIDADE

Assim como outros tantos simples mortais, o deputado ouviu e acreditou numa estoriazinha de que a Sabesp estaria comprometida em trocar toda a tubulação feita de amianto, num processo que prevê-se demora de aproximadamente dez anos.

Ao perguntar como andaria esse processo de substituição, o deputado teria ouvido de seus interlocutores simplesmente que "os tubos de amianto de Osasco são de melhor qualidade". E pronto!

LEI...PRA QUÊ?

Quer dizer: o nobre deputado tomou uma senhora "atravessada"; ficou pasmado com a resposta da Sabesp; percebeu que de nada adiantará cobrar consciência de quem não a tem e; assim como todo cidadão brasileiro, vai aprender – de um jeito ou de outro – que neste país, lei nenhuma serve para ser respeitada...

CAMPANHA DE DESCONTENTAMENTO

A Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp) encampou há algumas semanas uma briga que, no mínimo, deverá chamar a atenção das sociedades organizadas deste país.

Em pleno período que antecedia e já entrando no período de campanha eleitoral propriamente dito, a Associação resolveu usar os principais veículos de comunicação do Estado para divulgar campanha de descontentamento com as ações públicas voltadas à categoria que representa.

ESTATÍSTICA NEGATIVA

Foram comerciais em televisão, anúncios em jornais, etc., mostrando ao público dados estatísticos como: a) 31% das cidades do Estado de São Paulo não têm delegados de polícia; b) desde 1995 a população de São Paulo cresceu 21% enquanto o número de policiais civis permanece o mesmo; c) são apenas 3.000 delegados para os 42 milhões de habitantes do Estado; etc., etc.

‘PRÁTICA ELEITORAL’

Como a resolução de tais problemas depende de ações do Governo do Estado, é lógico que tal reclamação atinge, diretamente, o Palácio dos Bandeirantes, cujo recém detentor da cadeira mais importante do local é nada mais, nada menos, do que o atual postulante ao cargo de presidente do Brasil, ex-governador José Serra (PSDB).

Justamente por isso, o PSDB paulista ingressou com ação contra a campanha da Adpesp, com o propósito de demonstrar que tudo se tratava de prática eleitoral.

ANSEIOS ‘POLITIQUEIROS’

É sempre assim: não só o governo paulista, mas todas as outras esferas de governo quando pouco, ou quase nada, fazem em benefício de sua população, não gostam de ver estampados os reclames da sociedade. Assim, quando essa sociedade organizadamente se movimenta num momento propício para que todos vejam e saibam dos problemas – como é o caso do período eleitoral – tentam denegrir tais anseios, taxando-os de ‘politiqueiros’.

SERVE DE EXEMPLO

O resultado disso tudo é que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) considerou que as peças nada mais apontavam do que os números disponíveis na entidade e que não tinham nenhum cunho eleitoral, permitindo-lhes a continuidade da publicidade.

Isso serve para o ex-governador Serra perceber que, mais do que discurso, a credibilidade de um agente público se conquista por suas ações. Serve para ele, para qualquer um que se disponha a ocupar aquela cadeira no Palácio dos Bandeirantes; em qualquer Prefeitura deste imenso país e até para os que se dispõem ao posto máximo de presidente da República...

PARA SE ENVERGONHAR

Para alfinetar ainda um pouquinho mais essa contenda entre a Adpesp e o PSDB indignado, a presidente daquela Associação, a delegada Marilda Pansonato Pinheiro, disse que os números apresentados pela campanha são tão vergonhosos para o Estado, que "o simples fato de o partido do governo de São Paulo tentar barrar nossa informação, mostra que eles também devem se envergonhar disso", em frase atribuída a ela em material distribuído à imprensa.

TODOS SABEM...

Mas espera aí: precisava a senhora Marilda Pansonato e a Adpesp passarem por tanto sufoco para mostrar tais números que depõem contra a qualidade dos serviços de Segurança Pública em nosso Estado?

Apesar de sua intenção louvável, o povo paulista e a população brasileira em geral sabem muito bem e sentem na pele diariamente a falta de autoridade nesse sentido...

ELEIÇÕES 2010

Curiosidades sobre materiais publicitários distribuídos pela região

- O jornal "Cidade", do Partido dos Trabalhadores de Osasco (PT), além de fazer campanha de seus principais candidatos, continua usando o espaço de humor para, por meio de charges, sempre atacar o ex-prefeito Celso Giglio (PSDB), como se estivesse na ruas uma campanha direta para prefeito.

- Os campeões de plaquinhas e ‘placões’ espalhadas pelas cidades da região são, inegavelmente, a barueriense Bruna Furlan (candidata a deputada federal pelo PSDB), e o osasquense Osvaldo Vergínio (candidato a deputado estadual pelo PP).

- O jornal de campanha do deputado federal João Paulo Cunha (PT) tem o criativo nome de "13 Vinte Cinco", escrito assim mesmo, numa referência ao número da candidatura, 1325. O problema é que, para muitos, a leitura se resume ao título "Vinte Cinco" e pode fazer subentender que seu número é apenas o 25. A confusão pode custar alguns votos...

- O jornal de campanha do deputado estadual e candidato à reeleição Celso Giglio (PSDB), chamado "A Voz de Osasco", apresenta todos os candidatos do partido nas mais variadas esferas de governo. O problema é que, quando mostra as fotos dos candidatos ao Senado, Orestes Quércia e Aloysio Nunes Ferreira, não coloca os nomes deles em lugar nenhum. Quer dizer: quem não os conhece, continuará não os conhecendo...

 


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