
DESENTENDIMENTO
Esta coluna divulgou na semana passada a saída do secretário de Saúde de Pirapora do Bom Jesus, Paulo Juliano, após desentendimento que ele tivera com outro secretário municipal, Helton Roosevelt Freitas Alves, este titular da Secretaria de Obras e filho do prefeito José Carlos "Bananinha" Alves (PT).
‘BAIXO CALÃO’
O desentendimento entre ambos provocou a iniciativa da vereadora Célia Maria Groppo (PT), a Celinha, em encaminhar na Câmara Municipal uma "Moção de Repúdio" contra o secretário Helton, pois na concepção da vereadora ele teria motivado a saída de Paulo Juliano depois de ofendê-lo com "adjetivos desqualificantes (sic) e palavras de baixo calão". A Moção não foi aprovada na Câmara Municipal.
EXPLICAÇÕES RESUMIDAS
Antes que a coluna fosse publicada, a reportagem deste Página Zero entrou em contato com o próprio Helton para saber a versão dele sobre o caso, mas as respostas aos temas levantados somente chegaram depois que o jornal já tinha fechado aquela edição. Por isso, na oportunidade somente um lado do caso foi apresentado e, agora, resumimos um pouco das explicações de Helton sobre o tema.
DIVERGÊNCIAS ‘FISCAIS’
Em mensagem enviada ao jornal, Helton Roosevelt resumiu que o desentendimento com o agora ex-secretário da Saúde, Paulo Juliano, deu-se por conta da emissão de notas fiscais relativas ao conserto mecânico de duas ambulâncias. Segundo o secretário de Obras, é da alçada dele a manutenção da frota dos veículos da Prefeitura, mesmo que as despesas tenham de sair da conta de cada departamento, como é o caso das ambulâncias, administradas pela Secretaria da Saúde.
COBRANÇA EM DOBRO
Essas notas fiscais devem ser atestadas por um diretor da Secretaria de Obras e pelo responsável pela Secretaria da Saúde, no caso o secretário Paulo Juliano que, segundo o documento, teria se recusado a atestá-las por considerar que o serviço poderia estar sendo cobrado em duplicidade, uma vez que já havia assinado notas sobre o mesmo serviço.
ERRO NO PREENCHIMENTO
Helton Roosevelt admitiu que houve discussão entre ambos, mesmo depois de ter explicado a Juliano que as notas anteriores haviam sido canceladas e não pagas pela Prefeitura por erro de preenchimento. O valor de cada uma das notas é de R$ 1.850,00 e R$ 1.250,00.
O resultado da discussão - todos sabem - acabou no pedido de exoneração do secretário Paulo Juliano, divulgado na semana passada.
OPÇÃO SEXUAL
O que ficou no ar, no entanto, e que teria causado o pedido de "Moção de Repúdio" da vereadora Celinha, era a insinuação – não divulgada por esta coluna – de que, dentre as "palavras de baixo calão", Helton teria usado de discriminação ao fazer comentários sobre a opção sexual do então secretário da Saúde.
Sobre esse tema, em especial, preferimos colocar o texto enviado pelo secretário de Obras, que contem o seguinte:
PEDIDO DE DESCULPAS
"Jamais ofendi o ex-secretário. Me chateei com a conotação que o ex-secretário quis dar ao ocorrido, pois apelar para qualquer forma de preconceito é algo que beira a leviandade. O Dr. Paulo possui orientação sexual muito bem definida e conhecida na cidade e tal fato jamais gerou qualquer constrangimento na sua convivência na Prefeitura. Gostaria de ressaltar que antes mesmo de ele assumir o cargo de secretário, fui um dos maiores incentivadores da sua nomeação porque conheço sua competência profissional e sei do carisma que ele tem junto a população. Portanto, não justifica essa apelação. Mesmo assim, convicto de que estava defendendo algo que é essencial à população (que é manter em prontidão os veículos para atender casos de emergência médica), peço desculpas ao ex-secretário de Saúde, por ter se sentido agredido com a situação", finalizou Helton no documento que assina.
DE PARABÉNS!
Outra questão colocada por esta coluna há algumas semanas (edição 933, de 18/06/2010) foi a iniciativa da Prefeitura de Carapicuíba em instalar cerca de 3.000 placas em ruas da cidade que, até aquele momento, não possuíam identificação.
Naquela ocasião, a coluna literalmente parabenizou a administração do prefeito Sergio Ribeiro (PT) em tomar a iniciativa, e citou que a ausência de sinalização colocava a cidade como se estivesse ainda no Século 18.
DEPOIS DA COBRANÇA
No mesmo texto, ainda, chegou-se a chamar o prefeito, singelamente, de "coitado" por ter herdado essa e outra "série de atrasos na administração carapicuibana, oriundos de outros administradores que por lá passaram e nada – ou quase nada – fizeram", observava-se no texto, taxativamente.
Mesmo assim, a coluna comentou em tom de desconfiança que, segundo o prees-release (nota) distribuído pela própria Prefeitura, o prefeito somente teria tomado tal iniciativa depois de ser cobrado publicamente pelo repórter do programa jornalístico "SP TV", da TV Globo, Márcio Canuto.
"INEXATO"
O Departamento de Comunicação da Prefeitura também leu o enunciado na coluna e enviou texto tentando esclarecer o posicionamento daquela administração, afirmando que o teor (do publicado) "não é inteiramente exato".
Em mensagem encaminhada à Redação , assinado pelo jornalista Helton Alves, um texto procura mostrar que essa "ausência de identificação de ruas era apenas parte dos problemas que a Prefeitura se propôs a resolver". Ora, isso foi dito pela coluna, quando se disse que o atual prefeito herdou esse e tantos problemas.
PRAZO EXÍGUO
Em outro trecho da mensagem, o Departamento de Comunicação tenta mostrar que todo o trabalho foi fruto de aprofundado estudo que começara bem antes da visita do repórter da Globo à cidade. Segundo o texto, Canuto fez a reportagem em março e em junho já se apresentavam as soluções, comprovando-se por esse exíguo prazo de tempo que não seria possível realizar tal tarefa apenas pela "cobrança" (aspas da Redação) do repórter.
‘COMPROMISSO PÚBLICO’
A grande preocupação da assessoria do prefeito Sergio Ribeiro reside justamente aí: no fato de a coluna ter questionado se tal iniciativa teria partido apenas depois da cobrança do repórter, já que a administração deveria estar atenta aos problemas da cidade 24 horas por dia, 365 dias por ano.
Por isso, o Departamento de Comunicação afirmou que quando emitiu o press-release citando a visita de Canuto à cidade e o compromisso do prefeito em sanar a questão, tinha apenas "o único propósito de contextualizar o momento em que houve um compromisso público de resolver o problema...".
TEXTO EXPLICADO
Legal! Explicado, então, que o prefeito e a sua equipe não foram movidos pela reportagem da Globo, certo? Pelo menos isso veio muitíssimo bem explicado pelo texto posterior à coluna.
Mas o que o colunista fez foi somente apreciar o que, anteriormente, viera escrito no press-release distribuído pela mesma assessoria que agora o explica.
E o que dizia o press-release? Dizia taxativamente: "A Prefeitura assumiu o compromisso de identificar as ruas, e renumerar os imóveis no início do mês de março de 2010, em matéria do repórter Márcio Canuto, da TV Globo. Desde então, esforços têm sido canalizados no sentido de solucionar o problema".
DESDE ENTÃO...
É isso o que diz o texto. Não havia citação a estudos anteriores, tampouco ações feitas anteriormente à visita do repórter da Globo. Aliás, a partir daquele dia, todos os verbos do mesmo press-release são usados no futuro, ou seja, "a primeira placa será instalada..."; "uma vez concluídos esse locais, será a vez das travessas..."; "esse trabalho será efetuado a partir do marco zero..."; etc.
Mas, o mais interessante: dá para perceber a frasezinha mágica no próprio texto do press-release? "Desde então, esforços têm sido..."
MAL FEITO
"Desde então", significa que a partir daquele momento; desde aquela entrevista; a partir dali e tantas outras adjetivações que se queira.
Interpretou-se, naturalmente, que "desde então", ou a partir da entrevista, os esforços foram feitos para sanar o problema. Qual a outra interpretação possível?
Tudo bem, tudo bem! O press-release foi agora explicado e mostra que tudo é fruto de planejamento e não foi feito somente pela cobrança do repórter. Ótimo!
Mas press-release que precisa ser explicado não é press-release bem feito e, por isso mesmo, tem o dever de ser questionado...
O "PAI DA BRUNA"
Um grande número de pessoas participou do encontro realizado na semana passada em torno da candidata a deputada federal Bruna Furlan (PSDB), numa churrascaria no bairro Tamboré.
O pai, o prefeito de Barueri, Rubens Furlan (PMDB), andou desenvolto entre os presentes e, ao dar testemunho sobre a importância do papel atual da filha e do crescimento de Bruna no cenário político, proferiu mais uma das suas frases de efeito que, naturalmente, merece registro.
"Agora não sou mais o Furlan ou o prefeito de Barueri; sou identificado como o pai da Bruna", brincou carinhosamente entre os presentes.
Paredão