Sexta, 10 de setembro de 2010
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Paredão Edição n° 935

 

‘MAIS EDUCAÇÃO’

O jornal Página Zero divulgou na semana passada notícia sobre Pirapora do Bom Jesus que chamou mais a atenção pelo conteúdo da foto a ela relacionada do que propriamente para o assunto. Não que o assunto não fosse importante, afinal a cidade recebia a lançamento do programa federal "Mais Educação", em cerimônia comandada pelo prefeito José Carlos Bananinha Alves (PT) e pelo secretário municipal da Educação, Joaquim do Prado.

INIMIGO PÚBLICO

A curiosidade, no entanto, observada por alguns leitores e também pelos repórteres deste jornal, é que na foto onde apareciam as autoridades já citadas, também se notava a presença do vice-prefeito Marcos Evangelista (PP), hoje desafeto e declarado inimigo público ‘número-um’ da atual administração.

O que é, então, que ele estava fazendo ao lado do prefeito Bananinha?

DISTÂNCIA MANTIDA

Muitos chegaram a insinuar que essa presença significava a reaproximação dos dois desafetos, mas o próprio vice-prefeito tratou de afastar qualquer suspeita nesse sentido.

Ao comentar o episódio com a reportagem, disse manter fielmente a posição de contrariedade com as ações do prefeito, permanecendo no mesmo papel anunciado até com alarde, há alguns meses, de distância da administração.

TEM DE PARTICIPAR

Ele justificou, no entanto, que a presença dele em certos eventos faz parte da instituição do cargo de vice-prefeito, que afinal, ainda ocupa, e que é naturalmente cobrado pela população que o tem em estima sobre a participação em tais situações.

ESTOPIM

Se esse relacionamento parece manter-se no mesmo patamar de afastamento de meses atrás, o que anda fervilhando nos bastidores da política piraporana pode ser o estopim de mais uma crise que se avizinha para os quadros administrativos do prefeito Bananinha.

MEDIÇÃO DE FORÇAS

Na última semana, por exemplo, ele perdeu a companhia do então secretário da Saúde, Paulo Juliano, e – segundo dizem – a saída do companheiro de administração não teria se dado de forma muito pacífica, não!

O motivo da saída teria sido um desentendimento com outro secretário da administração, este sim considerado por muitos com força absoluta dentro da Prefeitura, Helton Roosevelt Freitas Alves.

‘SUPERSECRETÁRIO’

Helton Alves, que já ocupara o comando da secretaria de Governo e está atualmente na titularidade da Secretaria de Obras, é nada mais, nada menos que o filho do prefeito Bananinha...daí a percepção – para muitos – de que ele teria realmente ascendência muito maior sobre o atual chefe do Executivo do que outros em posição hierárquica semelhante.

NÃO É MAIS...

Independente dessa interpretação, o que circula pela cidade é que, por questões administrativas, Helton e Paulo Juliano teriam se desentendido publicamente com trocas de ofensas.

Como é difícil peitar o secretário filho do prefeito, dá para se imaginar o resultado dessa confusão, né?! O secretário de Saúde não é mais o secretário de Saúde...

PROPORÇÃO POLÍTICA

O que poderia transparecer apenas uma discussão de integrantes da equipe administrativa do prefeito, que naturalmente tem prerrogativas para avaliar e tomar as medidas que desejar, pois é o chefe de todos eles, ganhou um capítulo de ordem política que, por isso, poderá se transformar em algo maior.

MOÇÃO DE REPÚDIO

Esse capítulo foi agora protagonizado pela vereadora Célia Maria Groppo, que é do mesmo PT do prefeito Bananinha e, apesar disso, chegou a apresentar uma Moção de Repúdio na Câmara Municipal, afirmando no documento que "o secretário de Saúde foi desacatado com adjetivos desqualificantes (sic) e palavras de baixo-calão pelo secretário de Obras".

‘DESACATO’

Logicamente o pedido de repúdio era dirigido ao secretário e filho do prefeito, lembrando ainda em seu documento que o Artigo 331 do Código Penal Brasileiro determina penas pesadas para quem desacatar no exercício da função um servidor público, que foi o que ela – vereadora – julgou ter ocorrido.

MAIS DIFICULDADES

Como o pedido de Célia Groppo foi recusado pelos demais vereadores, a maioria fiel ao relacionamento político com o prefeito, questionou-se se toda essa celeuma não poderia virar nova dificuldade de relacionamento do chefe do Executivo com a vereadora correligeonária; com o próprio partido; com a Câmara Municipal ou até mesmo com sua equipe de secretários.

É esperar para ver...

PRAZO FINAL

O período para a realização das convenções político-partidárias que definiriam candidaturas ao pleito do próximo mês de outubro já foi cumprido. Os partidos tiveram e realizaram, como de praxe em ano eleitoral, convenções dentro do mês de junho e têm, agora, até segunda-feira, 5, para confirmar as escolhas junto ao Tribunal Eleitoral.

DE FORA

Mesmo considerando que uma ou outra coisinha de menor interesse possa acontecer até se esgotar o prazo final, sempre fica a surpresa por aqueles nomes que durante os dois últimos anos circularam pelos bastidores políticos e pelas colunas jornalísticas e que, no final das contas, acabaram fora da corrida que vem por ai.

MOTIVOS PRÓPRIOS

Cada um por seu próprio motivo - é claro- e a maioria por decisão própria, que sente que talvez o momento não seja propício para o lançamento de candidaturas, citam-se alguns expoentes da política regional que devem ficar de fora diretamente da busca de votos neste ano, como o osasquense Délbio Teruel (PDT); os carapicuibanos Waltinho Ferreira (PSDB) e Gilmara Gonçalves (PSC) ou o barueriense Jaques Munhoz (PDT).

‘ESPAÇO VAZIO’

Todos eles, de um jeito ou de outro, foram citados como potenciais candidatos e, pelo menos até o encerramento das convenções, deixaram os nomes de lado das pretensões mais diretas.

Além deles, outro nome que inegavelmente também passa a ocupar esse ‘espaço vazio’ (por assim dizer) em termos de candidatura merece um destaque especial. Trata-se do ex-prefeito de Carapicuíba Fuad Chucre (PSDB).

NO LUGAR DO FILHO

Apesar de muitas ameaças de inelegibilidade por reprovação de contas por parte da Câmara Municipal e do Tribunal de Contas, Fuad teve o nome cogitado ao ponto de se questionar se ele ocuparia o lugar do filho, atual deputado federal Fernando Chucre (PSDB), e muito se dizia da importância dessa candidatura para voltar a pleitear o retorno à Prefeitura na eleição de 2012.

ALTERNATIVA ESTRATÉGICA

Como forma conciliadora e estratégica dentro da família e do partido, muitos passaram a difundir a ideia de que Fuad sairia candidato a deputado estadual, ficando mais perto de Carapicuíba, formando "dobradinha" com o filho e permitindo a conquista de bons votos para garantir reeleição à Câmara Federal.

APOSENTADORIA

No final das contas, Fuad não foi anunciado nos últimos dias nem como candidato a deputado estadual, nem a federal, dando margem a comentários sobre outra possibilidade a respeito do futuro político dele: a de que, já beirando 70 anos de idade, estaria mais propenso a se aposentar, colaborando apenas com o trabalho do filho Fernando em projetos atuais e futuros também...

AREIA E PEDRA

Essa ainda vai estourar: existe uma Prefeitura na região que anda comprando metros e metros de areia e pedra para uso em obras e construções.

Mas o que parece ser uma simples transação comercial presente em todas as administrações públicas, apresenta características nada interessantes do ponto de vista legal.

Sabe por quê?

POR METRO...E POR MILHÕES

Inicialmente, um dos depósitos onde se compra essa areia e essa pedra pertence a nada mais, nada menos, que ao pai do secretário responsável pelo setor que orienta as licitações públicas daquela municipalidade.

Só isso? Nãnãninha..

Como areia e pedra é um produto que quase ninguém consegue conferir quando se chega ao depósito ou ao almoxarifado, há também denúncia de que compra-se uma quantidade e entrega-se outra, infinitamente menor, causando um rombo ao erário que já se especula... em milhões de reais!

AREIA NO VENTILADOR

Mas a coisa toda pára por aí? Não, não e não!

As outras empresas, normalmente aptas a participar das licitações para compra de tal material, seriam também de parentes do mesmo secretário municipal.

Dia desses, numa das sessões de licitação em que três empresas apresentavam os respectivos preços, uma delas era do pai do moço; a outra da irmã do pai (que neste caso é tia do secretário) e a outra foi ainda representada oficialmente pela própria esposa dele.

Já, já, terá gente jogando muita areia (e pedra) no ventilador desse secretário que, por certo, irá atingir o chefe, o prefeito.

 


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