
PRESENÇA DE PESO
A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada por Osasco trouxe natural impacto para os bastidores políticos, como é natural acontecer com a presença de qualquer presidente da República, principalmente aquele que detém índices altíssimos de aprovação popular; além de se fazer presente num momento pré-eleitoral dos mais acalorados.
BAGAGEM COMPLETA
Lula inaugurou obras, anunciou mais ações para a região e, de quebra, trouxe a tiracolo o que o seu partido - o PT - deve apresentar como protagonistas na eleição de outubro próximo: a ministra Dilma Roussef, pré-candidata à presidência da República e o senador Aloizio Mercadante, pré-candidato ao governo de São Paulo.
MULTA À VISTA
Muitos discursos, muitos agradecimentos, e também muita empolgação foram registrados em meio aos entusiastas do PT e do presidente. Em determinado momento de toda a festança, correligionários que assistiam à cerimônia entoaram o coro de "Dilma presidente".
Como Lula recebeu recentemente uma multa da Justiça Eleitoral por ser acusado de "campanha eleitoral antecipada", foi logo alertando o povão que não estava ali naquele palanque para tal situação.
QUEM VAI PAGAR?
Mas o presidente também não deixou de dar sua pitadinha de sarcasmo: ao falar para o público que esse tipo de manifestação poderia lhe propiciar outra multa, pedindo para que os ânimos se contivessem, Lula chegou a insinuar que tudo estaria bem se alguém pagasse a multa por ele. "Olha pessoal, não pode [fazer campanha]. Depois eu serei multado. Vocês irão pagar a multa por mim?", evocou o presidente aos mais exaltados.
Quando encerrou perguntando "quem vai pagar a multa por mim?", teve a grata satisfação de um montão de gente levantando as mãos.
Sinal de que continua com crédito junto aos seus eleitores...
ÁGUAS TURVAS
Depois de propiciar muitas dores de cabeça ao grupo político ao qual pertence e que comanda os rumos políticos de Santana de Parnaíba há pelo menos dez anos, o vice-prefeito e secretário de Governo da cidade, Pedro Mori (PSB), parece enfim ter observado que a corrente não estava boa para continuar navegando com seu barco rumo a uma candidatura a deputado estadual ainda este ano.
NOVA TENTATIVA
Pedro Mori, como todos sabem, já foi vereador, presidente da Câmara e o único deputado estadual que a cidade já teve. Do alto do seu posto como vice-prefeito, julgava natural pleitear nova candidatura à Assembleia Legislativa do Estado, contando inclusive com o apoio de todo o grupo político que administra a cidade atualmente, liderado pelo prefeito Silvinho Pecciolli (DEM).
PEDRA NO SAPATO
Silvinho, no entanto, sempre declarou apoio à candidatura do barueriense Gil Arantes, que se já não bastasse ser do mesmo DEM que o prefeito, tem também o vínculo de amizade, respeito e apoio que sempre entrelaçaram seu relacionamento com o prefeito vizinho, de Barueri, Rubens Furlan (PMDB).
Por isso, a anunciada intenção de Pedro Mori era vista como uma pedra no sapato do grupo parnaibano, que insistia em apertar cada vez mais o calo de todos os envolvidos no processo eleitoral.
DOR MAIOR
Há alguns dias, no entanto, em declaração atribuída a ele por outro jornal, Pedro Mori teria dito que aceitou o convite para coordenar na região as campanhas majoritárias de seu partido, deixando de lado qualquer pretensão de se candidatar este ano.
Se era uma pedrinha no sapato para a liderança política da cidade, deve ter percebido que a dor para si seria muito maior se insistisse numa candidatura sem apoio nenhum...
PT DEFININDO
Depois de muito especular, especular e especular ainda um pouquinho mais, o Partido dos Trabalhadores (PT) de Osasco finalmente parece ter definido o que irá fazer em termos de candidaturas a deputado estadual neste ano.
Como o atual deputado Marcos Martins tem legenda garantida, já se sabe que ele tentará a reeleição, mas ele mesmo torcia para que o partido não "inventasse" outra candidatura, com o receio de se dividir os votos na cidade.
LISTA GRANDE
Desde a metade do ano passado, nomes como os dos vereadores Valmir Prascidelli e João Góis ganhavam espaços como eventuais candidatos ao mesmo posto de Marcos Martins. Depois deles, a lista aumentou com a inclusão dos secretários municipais Jorge Lapas (Governo) e Maria José ‘Mazé’ Favarão (Educação).
GARANTINDO ESPAÇOS
No meio de toda a discussão sobre as possíveis candidaturas, existe ainda a crença de que os dois maiores líderes do PT na cidade, o prefeito Emidio de Souza e o deputado federal João Paulo Cunha, estejam exercendo seu poder de voto para garantirem – cada um para si – seus espaços futuros junto a personalidades que venham a ter realmente algum poder daqui a alguns anos.
SIMPATIZANTES
O que tudo isso significa?
Ora: João Góis era o candidato preferido de Emidio, enquanto Valmir Prascidelli goza de maior simpatia de João Paulo Cunha.
Quando João Góis assumiu a presidência do partido na cidade, no ano passado, saiu formalmente da lista de pretendentes e, por uma coincidência danada, outros dois nomes ligados ao prefeito surgiram de repente: Lapas e Mazé.
SEM DIVISÃO
Ninguém mede forças dentro do partido; o partido está unido em torno de um único objetivo; João Paulo e Emidio se amam; enfim, não há motivos para se acreditar em qualquer possível divisão. E não há tal divisão!
O que há, simplesmente, é a tentativa de todos se garantirem com bons espaços dentro da política para os próximos anos.
DE OLHO EM 2012
Um exemplo bastante plausível para isso é a possível candidatura de João Paulo Cunha à prefeitura de Osasco (em 2012) assim que Emidio deixar o posto por não poder tentar nova reeleição.
Uma vez candidato, é sempre bom contar com aliados que estejam no poder, ocupando postos de vereadores, deputados e afins. Ou não?!
ANÚNCIO NA FESTA
Pois bem! Na festa de aniversário que o PT osasquense promoveu nesta semana, foi divulgado o nome do vereador Valmir Prascidelli como aquele que, juntamente com Marcos Martins, irá tentar a eleição a deputado estadual.
Tal indicação seria uma vitória de João Paulo Cunha?
Não se pode pensar em termos de "vitória", mas tal indicação lhe é, sim, a mais atraente.
EVITAR O OSTRACISMO
E para Emidio, seria uma derrota? Também não!
Mas quando deixar o comando da cidade, daqui a dois anos, terá de pensar em espaços próprios dentro da política, para não correr o risco de se aventurar ao ostracismo.
Isso tudo é o que corre à boca-pequena, nos ‘cantinhos’ políticos da cidade.
Mas não pense o menos desavisado que Emidio não gosta ou não tenha relação com o escolhido Prascidelli.
SOB O MESMO TETO
Para que o partido chegasse ao seu nome, a avaliação passou por muitas reuniões e, com certeza, com a anuência de Emidio, que deve se lembrar, por exemplo, que o atual vereador, em outras épocas, deixou posto de comando na Ceagesp para vir ajudá-lo em sua campanha a prefeito. Deve se lembrar, também, que em tempos de ‘vacas magras’ quando o PT ainda era um punhado de barbudos tentando mudar o mundo, Emidio e Prascidelli dividiram o mesmo teto, comendo no mesmo prato.
NO RUMO CERTO
Valmir Prascidelli não irá, então, representar somente a João Paulo ou a Emidio. Terá a missão de – se eleito – representar e fortalecer ainda mais o partido na cidade e na região.
E...mesmo que o deputado Marcos Martins tenha lá suas ressalvas, está certo o PT em aproveitar a maré capitaneada pelo presidente Lula, posto que tem, sim, chances de eleger dois deputados estaduais em Osasco.
CONSOLO
Ah...e quanto a Jorge Lapas e Mazé Favarão, que também pretendiam tal indicação?
Aí a coisa esquenta: há uma versão dentro do próprio partido – bastante interessante (para não dizer improvável) - de que ambos teriam sido ‘consolados’ com a seguinte promessa: caso João Paulo Cunha não queira ou seja impedido por qualquer razão de se candidatar a prefeito em 2012, a discussão sobre o possível candidato incluiria o nome dos dois.
Será?!
