
SEM EMPECILHOS
O presidente da Câmara Municipal de Osasco, vereador Osvaldo Vergínio (PR), anda meio diferente em suas posições mais recentes em pelo menos dois temas acalorados no cenário político da cidade.
Há algumas semanas, tomou a iniciativa de anunciar que não mais servirá como ‘empecilho’ (termo nosso) para aprovação de pelo menos uma parte do chamado projeto ‘Cidade Limpa’ em tramitação na Câmara Municipal.
TRAVOU NA CÂMARA
Para quem não se lembra, no ano passado o prefeito Emidio de Souza (PT) anunciou com estardalhaço a criação e o envio à Câmara do projeto que tem moldes semelhantes ao da Capital paulista, impondo uma série de ações para ‘despoluir’ visualmente a cidade.
Depois do envio ao Legislativo, imaginava-se que o projeto fosse aprovado facilmente, o que não ocorreu.
EVITANDO DEMISSÕES
Em determinado momento, o próprio presidente da Câmara chegou a admitir que ‘segurava’ a discussão do projeto pois antevia que ele poderia ser prejudicial aos comerciantes locais, gerando, inclusive, desemprego nesse setor.
Daí, há alguns dias, sem mais nem menos, Vergínio resolveu divulgar certo ‘relaxamento’ admitindo que, para não ver os muros da cidade poluídos, pode dar encaminhamento ao projeto.
MUDANDO O ‘IMUTÁVEL’
Agora, nesta semana, o presidente do Legislativo também começou a ‘relaxar’ em outro discurso que vinha sustentando com bastante convicção, que era o de se lançar, já em 2010, como pré-candidato a prefeito de Osasco na eleição de 2012.
Mesmo sendo algo cuja distância não permita afirmações incontinentes, Vergínio batia na tecla da irreversibilidade de sua decisão.
LEVANDO VANTAGEM
Pré-candidato a deputado estadual já na eleição de outubro deste ano, Osvaldo Vergínio sabe que deverá compor forças para atingir o seu objetivo, e adotar posturas pelas quais somente ele leve vantagem o afastará dessas forças.
Quer um exemplo? Mesmo que tenha bom potencial de votos e chances de se eleger deputado, não poderá descartar o apoio de líderes como o próprio prefeito Emidio, que é do PT, tem candidato próprio de preferência, mas que poderá sempre dar uma ajudazinha ao amigo presidente da Câmara.
CANDIDATO (MAIS) FORTE
Quer mais?
Outro já eventual candidato a prefeito em 2012, com muito mais chances (de momento) do que o próprio Osvaldo Vergínio, é o deputado federal pelo PT, João Paulo Cunha.
Ora: João Paulo é do mesmo partido do atual prefeito; poderá receber diretamente o apoio de Emidio em 2012 e é candidato natural à reeleição neste ano, fortalecendo ainda mais o seu nome no eleitorado local.
CAMINHO ‘LIGHT’
Por que então Vergínio, que admite fazer até uma dobradinha eleitoral neste ano com o próprio João Paulo, iria irritar o petista a ponto de imaginar que ambos poderiam ou poderão ser concorrentes em 2012?
É muito melhor garantir hoje a eleição a deputado estadual; preservar as amizades; afastar os possíveis mal entendidos e caminhar ‘light’ em busca dos votos que poderão lhe permitir o objetivo almejado...
CAMINHO PRÓPRIO
Diante de tanta pressão para que o PT paulista formasse uma "chapa pura" para a eleição ao governo do estado de São Paulo, o presidente do PDT paulista e deputado federal Paulinho da Força resolveu, na semana passada, escancarar as diferenças que existem entre os dois partidos aliados e foi logo ameaçando: se o PT não respeitar acordos, irá seguir caminho que não contará com o apoio do PDT.
PROVOCANDO A IRA
A estória já ganhava corpo e simpatizantes, que acreditavam realmente ser possível lançar a chapa com o senador Aloizio Mercadante para o governo do Estado, e o também senador Eduardo Suplicy como candidato a vice, sendo ambos do PT.
Essa ideia, no entanto, fere acordos até então firmados com o PDT, provocando a ira de Paulinho da Força.
Suplicy já começou a abrir mão de tal pretensão e, agora, espera-se calmaria entre os dois partidos, cobrada pelo deputado Paulinho.
MAL DIGERIDO
Mas a paz para as candidaturas petistas deste ano poderá sofrer outro ataque nos próximos dias já que se especula que o deputado federal pelo Ceará, e que já transferiu domicílio eleitoral para São Paulo, Ciro Gomes (PSB), não digeriu aquela imposição do próprio partido, enterrando a pretensão de lançar-se candidato à presidência da República.
PRESSÃO DE CIMA
Ciro e o Brasil todo sabem que os integrantes do PSB somente agiram contra o próprio líder, motivados por outra pressão, desta vez incitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados petistas, que temiam ver a candidatura de Ciro Gomes prejudicando à campanha da escolhida oficialmente, Dilma Roussef.
POR VINGANÇA
Dizem agora que, por represália a Lula e ao PT, Ciro estaria pensando em lançar-se candidato ao Senado pelo PSB paulista, a fim de confrontar a candidatura tida por muitos como favorita da petista Marta Suplicy ao mesmo cargo.
Ciro está quietinho e as convenções de quase todos os partidos começarão na segunda quinzena de junho.
O melhor negócio, por enquanto, é aguardar e ver no que vai dar...
