
RELAÇÃO ESTREMECIDA
Alguns jornais da região, incluindo-se este Página Zero, vêm divulgando o resultado de um recente encontro do líder do PMDB paulista e candidato ao Senado da República, Orestes Quércia, com o osasquense e deputado federal Francisco Rossi, do mesmo partido.
Os dois mantinham uma relação estremecida nos últimos meses e o encontro teria servido para apaziguar os ânimos entre ambos.
PRIMEIRA DERROTA
O resumo da história é o seguinte: deputado federal cujo partido em Brasília, o PMDB, compõe a base de sustentação do presidente Lula e do PT (Partido dos Trabalhadores), Francisco Rossi não concordava com a posição de Quércia em, no Estado de São Paulo, se aliar a José Serra, do PSDB, tendo como moeda de troca a já consumada candidatura ao Senado.
Por isso, no final do ano passado, Rossi tentou conquistar a presidência do partido em São Paulo, perdendo na votação para o "eterno" Quércia.
SEGUNDA DERROTA
Não satisfeito, no momento em que as convenções partidárias se realizavam no mês de junho para definição das candidaturas, Rossi lançou-se candidato ao governo paulista dentro do PMDB, justamente para contrariar o apoio de Quércia e da maioria do partido à candidatura do tucano Geraldo Alckmin.
Resultado? Nova derrota de Rossi para Quércia que, irritado, poderia muito bem mandar Rossi "plantar batatas" e "condená-lo" à aposentadoria na política federal.
PRECISA DA LEGENDA
Aliás, o próprio deputado Rossi já antevia essa possibilidade, afirmando que se não fosse candidato ao governo, escolhido por seus pares, nem tentaria mais a reeleição a deputado federal. Apesar dessas declarações e encerrado todo o processo de escolha, Rossi começou a admitir, sim, candidatar-se novamente à Câmara Federal mas, para tanto, teria de obter a anuência do partido (leia-se Quércia), no sentido de fornecer-lhe uma legenda para tal.
SEM REVANCHISMO
E foi esse o resultado do encontro cordial que ambos tiveram depois de toda a celeuma, aqui na região, com Quércia demonstrando-se desapegado a aspectos revanchistas e Rossi demonstrando humildade após a garantia de que ele teria, sim, legenda para candidatar-se a novo mandato de deputado federal.
Essa foi e continua sendo a notícia divulgada por todos, colocando a bandeira branca da paz por sobre toda aquela questão.
FORA DA LISTA
Só que um pequeno probleminha ainda persiste: Rossi é candidato em notícia divulgada por ele e pelo próprio Quércia, mas nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não consta tal candidatura. Ou seja, pelo menos até esta semana o PMDB estadual ainda não havia formalizado essa promessa.
Mesmo transcorrido o prazo normal para registro das candidaturas, existe uma "válvula de escape" na lei que permite aos partidos preencherem vagas remanescentes ou substituírem candidatos "desistentes".
Esse prazo final é o dia 4 de agosto e, portanto, até lá, o nome de Rossi pode ainda aparecer na lista oficial de candidatos do TSE. Ou não...?!
DE OLHO NA CONCORRÊNCIA
O vereador osasquense Valmir Prascidelli fez no início da semana o lançamento oficial de sua candidatura a deputado estadual pelo PT, em cerimônia bastante concorrida, como é de praxe em tais eventos (ver matéria nesta edição).
Apesar do expressivo incentivo popular que se manifestou naquela festa e também das forças políticas da cidade – já que tem o apoio declarado de personalidades como o prefeito Emidio de Souza e do deputado federal João Paulo Cunha -, Prascidelli, no entanto, surpreendeu a muita gente quando, em discurso, fez uma análise (sem citar nomes) da concorrência que terá na cidade pelo mesmo cargo.
TIRANDO DAS COSTAS
Considerado por muitos como um dos favoritos à eleição à Assembleia Legislativa, Valmir Prascidelli tirou de suas costas esse ‘peso do favoritismo’ ao afirmar que "sei que vamos enfrentar muitas campanhas ricas". Dizem que, se não a mais rica, a dele próprio deve ser uma das mais fortes que vem por aí.
Até aí tudo bem... ele está se referindo a dinheiro, e realmente ninguém sabe como estão todos os demais candidatos...
NO SUBTERRÂNEO...
Ou melhor: pela segunda declaração de Prascidelli, ele deve ter alguma informação que outros não têm, ou não teria deixado no ar uma dúvida tão grande ao afirmar que apesar desse enfrentamento de campanhas ricas "não vamos buscar recursos no subterrâneo da sociedade".
Subterrâneo da sociedade? Essa é bem forte!
A quem estará servindo tal carapuça?
LIGAÇÃO ‘ESTRANHA’
O deputado federal Índio da Costa, do DEM do Rio de Janeiro, para quem ainda não sabe, é o candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra e, considerando-se o início desta semana, já dá para notar qual será seu papel na campanha deste ano.
Ao criticar a oponente direta Dilma Rousseff, do PT, o deputado afirmou que o partido a que ela pertence tem ligação com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e também com o narcotráfico, crime atribuído àquela organização do vizinho país latino.
‘SENTANDO O PAU’
Muitos acreditam que esse será o verdadeiro papel do candidato a vice de Serra, ‘sentando o pau’ na vizinhança adversária, para que o líder da chapa não tenha que se "queimar" com declarações tão fortes. Enquanto Dilma e o PT se preocupam em se defender – essa seria a estratégia – José Serra vai tocando sua vida com um pouco mais de tranquilidade.
‘FLECHAS’ PARA TODOS OS LADOS
Acontece que as reações contra o vice de Serra foram tão contundentes e a repercussão do tema tão virulenta, que já há até correligionários da campanha tucana pedindo para Índio da Costa parar de dar suas ‘flechadas’ de forma tão direta ou tão desvairada.
Ele mesmo está sendo processado pelo PT e agora terá de repensar as frases de efeito ou mesmo as acusações, principalmente desse nível, quando não se tem elementos para comprovar o que se diz.
