Por Daniel Soares
O servidor público Márcio Pires da Rocha, que exercia cargo de assessor parlamentar no gabinete do vereador Waltinho Ferreira do Nascimento (PSDB), de Carapicuíba, está acusando o ex-patrão de exigir o repasse de parte dos salários que recebia - mais exatamente R$ 345,00 - que a Câmara paga a todos os servidores como compensação do vale-transporte e da cesta básica, que não são pagos em espécie.
Waltinho afirmou que irá processar o ex-servidor

Márcio fez as denúncias na redação do jornal (Foto: Daniel Soares)
Rocha, que fez a denúncia na redação do Página Zero, foi admitido em agosto de 2009 e afirmou que Waltinho colocou o repasse de parte do salário como condição para exercer o cargo. "Acho errado, mas aceitei porque estava desempregado e tenho família, com três filhos para sustentar. Em dezembro, disse ao vereador que não aceitaria mais aquela prática porque estava sacrificando a minha família", prosseguiu Rocha.
O servidor demitido afirma que antes, em outubro, fez um depósito do valor de R$ 345,00 na conta-corrente do vereador. "Nos outros meses, entreguei o valor em dinheiro na mão dele", denunciou. Segundo ele, Waltinho teria dito então que ele perderia não apenas aquela parte do salário, como seria demitido e poderia sofrer outras represálias. "Interpretei isso como uma ameaça", disse.
Márcio lavrou o Boletim de Ocorrência nº 2173/2010 no 1º Distrito Policial de Carapicuíba com as denúncias que fez na redação e ao qual anexou cópia do depósito que afirma ter feito para Waltinho.
Márcio afirmou ainda não ter feito quaisquer denúncias sobre os vereadores Serginho da Sabesp (PSDB) e Selmo Bodão (PMDB), notícia que teria sido divulgada em outros jornais da região. "O Waltinho é quem inventou isso para desviar o foco da denúncia contra ele. Não tenho nada contra os outros dois vereadores, que até admiro pelo comportamento deles", garante.
Waltinho afirma que em setembro foi avisado por dois outros funcionários do gabinete dele que Márcio tentara sacar dinheiro de uma conta bancária com um cartão que ele achara no chão de uma agência bancária a qual tinha ido prestar serviços para o gabinete. "Ele mexe com maquininhas de jogos, entende de informática. A sorte é que o cartão foi bloqueado nas tentativas dele de descobrir a senha", afirma Waltinho, ao ser indagado pela reportagem.
"Chamei-o ao gabinete e comuniquei que iria exonerá-lo em função do comportamento dele e da pouca disposição para o trabalho. Ele me pediu para ficar até o dia 30, mas em seguida criou outros problemas com a minha equipe de trabalho, tentou agredir uma funcionária antiga. O comportamento é de desequilibrado. Vou processá-lo por injúria e difamação", prometeu Waltinho.
Um funcionário do vereador, ouvido pela reportagem e que pediu para não ser identificado, confirmou um entrevero com Márcio no gabinete, no dia 23 de dezembro. "Ele é vagabundo mesmo, não cumpria os encargos que eram repassados para ele e discutimos em altos brados, com dedo na cara e tudo. Faltou pouco para uma agressão física de parte à parte", relatou o servidor.
