Por Daniel Soares
A Câmara de Vereadores de Jandira realizou uma sessão extraordinária no início da tarde da quarta-feira, 25, para leitura do relatório final de uma Comissão Processante formada para apurar quatro denúncias contra a administração da prefeita Anabel Sabatine (PSDB). Se as denúncias fossem acatadas, a prefeita poderia ter o mandato cassado.

Voto de Gê foi decisivo
De acordo com denúncia encaminhada pelo munícipe Reinado dos Santos, que nunca compareceu para depor, Anabel teria cometido o crime eleitoral de não residir em Jandira; teria participado de fraude em licitação em um contrato da Secretaria da Educação para educação ambiental; estaria permitindo a prática de nepotismo na administração e empregou verbas do Fundeb para pagamento da folha de salários da Prefeitura, o que é vedado pela legislação.

Comissão Processante foi presidida por Zezinho
Por 6 votos a 4 (leia no quadro quem votou contra e favor das acusações do processo) Anabel Sabatine foi considerada inocente das acusações da Comissão Processante, que foi integrada pelos vereadores Reginaldo Camilo dos Santos, o Zezinho (PT), presidente; Maura do PT, relatora e José Neto da Silva, o Zé Neto (PR), membro.
Com a decisão, só resta à Câmara o arquivamento do processo que deu origem à Comissão Processante. Entretanto, o vereador Zezinho declarou para a reportagem do Página Zero ao final da sessão que "perdemos uma guerra, mas a batalha continua. As acusações são graves e iremos ao Procurador-Geral de Justiça, Fernando Grella Vieira, pedir que investigue as denúncias".
O presidente da Câmara, vereador Wesley Teixeira (PSB), que por força constitucional assumiria o comando da Prefeitura em caso de cassação de Anabel, afirmou ao final que a Câmara tinha cumprido, com a Comissão Processante, um dos papéis dela, que é o de fiscalizar ações do Executivo. "Mas o resultado final, que infelizmente mantém o descalabro administrativo em que a cidade se encontra, reflete a democracia e o respeito às opiniões contrárias que caracterizam esta Casa".
VOTAÇÃO HISTÓRICA
Em sua exposição de motivos, Wesley havia classificado a votação do dia como "histórica para Jandira, porque estamos tendo a oportunidade de dizer para quem não ama a cidade: vá embora, deixe Jandira para os jandirenses".
A prefeita não compareceu à sessão, mas, ao final dela, foi abraçada e festejada por correligionários e servidores municipais no pátio da Câmara. Ela foi representada durante a sessão pelo advogado Francisco Roque Festa, para quem, em defesa sucinta, as denúncias eram ineptas porque feitas por "um denunciante virtual, ninguém o viu, ninguém o vê, não esteve aqui entre nós para que pudéssemos ouvi-lo, inquiri-lo".
Segundo Festa, o fato de Reinaldo dos Santos, o denunciante, ter antecedentes criminais "não faz dele menos cidadão, deve ter pagado a dívida dele com a sociedade, mas é estranho que não tenha vindo defender as denúncias que pretendeu fazer", ironizou.
No dia seguinte, a reportagem também tentou ouvir o vereador Geraldo Teotônio da Silva, o Gê (PV) cujo voto a favor da prefeita surpreendeu porque ele tem sido um crítico contumaz da administração de Anabel, mas ele não foi encontrado nem no gabinete e nem em nenhum dos celulares em que foi procurado e para cujas ligações ele não deu retorno.
O vereador Luiz Carlos Soldé (PTB) faltou à sessão e não foi encontrado para justificar os motivos da falta, nem tampouco deu retorno para a ligação do Página Zero. No gabinete dele, assim como no de Gê, ninguém atendeu ao telefone na quinta-feira, 26.
